AVALIAÇÃO DA REPERCUSSÕES HISTOPATOLÓGICAS DA MORTE ENCEFÁLICA APÓS A PADRONIZAÇÃO DA TERAPIA DE MANUTENÇÃO - MODELO EXPERIMENTAL EM COELHOS.

ALVES, Guilherme Naves de Lima 1; IOSHII, Sergio Ossamu 3; TANNOUS, Luana Alves 3; PIGATTO, Raul Nishi 3; CARVALHO, Katherine Athayde Teixeira de 3; SOUZA, Luiz Cesar Guarita2;

Resumo

Introdução:Pacientes em morte encefálica são candidatos à doação de órgãos, fato que torna importante a compreensão do processo fisiopatológico deste evento, bem como a instituição de condutas adequadas, a fim de manter o potencial doador. O processo de lesão encefálica grave culmina em isquemia de órgãos alvo, gerando aumento da resposta inflamatória sistêmica. Há poucas informações disponíveis na literatura sobre como estabelecer uma terapêutica para manter o potencial doador e as orientações formais são escassas. Acredita-se que o potencial doador seja mantido com a estabilidade hemodinâmica, reposição hormonal tireoidiana e de corticoides, ventilação mecânica, manejo da glicemia e de possíveis infecções ou arritmias. A comprovação de que tais medidas possam controlar a resposta inflamatória e a melhora da perfusão tecidual, protegendo os órgãos a serem doados, seria um estímulo ao emprego delas à beira do leito.

Objetivo:Analisar o padrão de resposta inflamatória sérica e in situ em coelhos submetidos à morte encefálica, e assim o correlacionar com as diferentes propostas terapêuticas utilizadas em cada grupo.

Metodologia:Foram estudados 20 coelhos, divididos em 4 grupos com 5 animais cada: A (controle), B (indução de ME + infusão de cristaloides), C (ME + infusão de cristaloides e noradrenalina (NA)), D (ME + infusão de cristaloides + vasopressina + levotiroxina + metilprednisolona + NA). Os animais foram acompanhados por quatro horas com monitorização contínua e coleta de sangue nos momentos 0 (indução anestésica), 1 (15 minutos após a ME), 2 (2 horas de observação) e 3 (quatro horas) para análise sérica da interleucina 6 e TNF alfa. Após o término do estudo, coração, pulmões, fígado e rins foram retirados e analisados utilizando imunohistoquímica (Interleucinas 6 e 10, TNF e HLA).

Resultados:Na avaliação dos marcadores inflamatórios séricos não houve diferença com significância estatística em nenhum dos parâmetros avaliados, porém os animais do grupo A e B apresentaram níveis médios e variações inferiores aos grupos C e D entre os momentos (0-1, 0-2 e 0-3). Na avaliação dos marcadores inflamatórios in situ houve diferença estatística entre os animais do grupo A e C nas lâminas de coração em relação aos marcadores IL-6 (p=0,047) e TNF (p=0,005), tendo os animais do grupo C níveis médios dos marcadores inflamatórios de 9 a 30 vezes maior quando comparados ao grupo A. Todos os demais marcadores e órgãos não apresentaram diferença estatística em suas comparações.

Conclusões:Neste estudo inédito, a estratégia de manejo clínico otimizada não demonstrou melhor prognóstico em relação aos níveis inflamatórios séricos e in situ quando comparada a outras modalidades de manutenção do potencial doador, exceto quando comparados os valores de IL-6 e TNF nas lâminas de imunohistoquímica de coração entre os animais do grupo A e C, tendo os animais do grupo suporte básico apresentado níveis mais elevados de marcadores inflamatórios quando comparados ao grupo controle.

Palavras-chave:Morte encefálica. Potencial doador de órgãos e transplante. Inflamação.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador