AGOSTINHO, NIETZSCHE E FREUD:O CONCEITO DE MEMÓRIA E SUASIMPLICAÇÕES ÉTICAS E EPISTEMOLÓGICAS

KARPEM, Carla Cristina1; ALMEIDA, Rogerio Miranda de2;

Resumo

Introdução:A presente investigação tem por objetivo abordar o pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) e do fundador da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939), em especial no que tange à abertura de um campo problemático acerca dos processos mnemônicos. Para tanto, nós nos valeremos dos conceitos de “memória” e de “esquecimento” como pontos de partida da pesquisa. Neste sentido, o relatório de pesquisa apresentado possui como principal âmbito de análise a epistemologia e a ética: noções centrais para a elaboração das experiências do sujeito nas relações intra e intersubjetivas.

Objetivo:Para a realização de nosso objetivo geral, a saber, de analisar as concepções da memória e do esquecimento na filosofia nietzschiana e na teoria psicanalítica de Freud, tivemos de introduzir três objetivos específicos: 1) Delimitar o conceito de memória e de esquecimento em Nietzsche e Freud e considerar as consequências dessas concepções para o campo da ética e a epistemologia; 2) Analisar a relação entre ambos os pensadores no que diz respeito aos conceitos de memória e de esquecimento; 3) Apresentar suas implicações na perspectiva da constituição do sujeito enquanto um sujeito ético.

Metodologia:Por se tratar de uma pesquisa de natureza teórica, tivemos três vetores principais em nosso método crítico-interpretativo: 1) Abordagem interpretativa dos textos centrais dos autores pesquisados; 2) Trabalho sobre os textos auxiliares; 3) Articulação destas duas linhas com nossa própria reflexão sobre o problema a investigar.

Resultados:Nietzsche vincula a recordação e o esquecimento a uma relação de forças que subjazem à vontade de potência; estas, por sua vez, ecoam no sujeito, na cultura e na maneira como uma civilização se relaciona com a história. Para Nietzsche, ao mesmo tempo em que o aprofundamento da memória é o preço a ser cobrado pela edificação da civilização, o esquecimento é uma força plástica, ativa, modeladora, regeneradora, que viabiliza o presente e a ação. Para Freud, a memória e o esquecimento estão ligados à dinâmica pulsional inconsciente, que suscita o recalque, a censura e o deslocamento de conteúdos. Os recortes efetuados sobre a memória visam evitar a emersão de conteúdos que possam gerar desprazer. Assim, sendo fragmentada, a nossa memória é também lacunar e falseada. Para Freud, trata-se, portanto, de duas forças psíquicas: enquanto uma visa apropriar-se da experiência e ligá-la à memória, a outra se manifesta como resistência e tende ao esquecimento; o produto do embate de ambas as forças é um “efeito de compromisso”.

Conclusões:Para Freud e Nietzsche, a memória se dá de modo entrelaçado ao esquecimento, possui caráter ativo e é expressa por meio da relação - intensa e conflituosa - de forças. Longe de ser uma faculdade passiva, que recebe e reproduz de modo indiferente as impressões e afetos do passado, a memória se manifesta como uma dinâmica de forças que entremeiam - resistem e até mesmo se opõem - à rememoração. Por fim, para além de conceber a memória como faculdade ativa, sublinhamos nela a sua contrapartida: uma dinâmica de forças do esquecer. Trata-se, em última instância, das pulsões de vida e de morte.

Palavras-chave: Nietzsche. Freud. Memória. Esquecimento. Desejo.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador