AVALIAÇÃO DO POTENCIAL DE DESCELULARIZAÇÃO DE SEGMENTOS DE NERVOS PERIFÉRICOS DE DOADORES CADÁVER

MELO, Leticia Corso de1; TUON, Felipe Francisco Bondan2;

Resumo

Introdução:O nervo periférico é um conjunto de axônios, um prolongamento do neurônio existente no sistema nervoso central, sendo uma estrutura anatômica de primordial importância por ser a responsável pela ligação do sistema nervoso central com todo corpo. O estudo de novas opções de enxertos para reparação cirúrgica devido a lesão de nervo periférico, se faz necessário, devido a reduzida disponibilidade. A descelularização de aloenxertos tem se mostrado favorável na obtenção de tecidos acelulares, no entanto uma das dificuldades encontradas é a manutenção da estrutura anatômica

Objetivo:Avaliar a descelularização dos segmentos de nervo periférico de doadores cadáver e estabelecer critérios histomorfológicos que indiquem a capacidade regenerativa do enxerto

Metodologia:O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Foram utilizados 12 segmentos de nervos medianos e 12 segmentos de nervos ulnares, bilateralemente, provenientes de 6 doadores cadáver. Os nervos foram divididos em 4 partes, que foram processadas por dois métodos: M1- descelularização por processo químico; M2- descelularização por processo químico e físico. Uma parte não foi processada e foi utilizada como controle. As características estruturais dos nervos pré e pós o processo de descelularização foram avaliadas por histologia e histomorfometria pelas colorações H&E, Tricrômico de Gomori, Luxol Fast Blue e DAPI utilizando secções transversais.

Resultados:Foram captados nervos de 6 doadores, sendo 3 homens e 3 mulheres. A avaliação histológica utilizando cortes transversais demonstrou uma efetividade dos processos de descelularização. Nas amostras de tecido fresco coradas em H&E, pode-se observar a estrutura dos canais com diversos fascículos bem definidos, além epineuro, perineuro e endoneuro, com a presença dos núcleos das células de Schwann. Ao analisar os maiores aumentos, é evidente a presença celular, dos canais e da bainha de mielina. No tecido descelularizado, a estrutura dos fascículos permanece inalterada, porém os núcleos celulares não são mais identificados. O arcabouço colágeno é mais visível na coloração Tricrômico de Gomori, que tem maior especificidade ao tecido conjuntivo, apresentando a sua integridade após o processo de descelularização A análise histológica demonstrou que os métodos 1 e 2 não apresentaram componentes celulares e a estrutura anatômica foi mantida, enquanto os segmentos de nervos controles apresentaram estruturas íntegras. A análise histomorfológica mostrou grande variabilidade, mas em média, os nervos descelularizados apresentaram maior número de fibras sem mielina.

Conclusões:Os achados do presente estudo demonstraram que o tratamento dos nervos humanos com o método de descelularização por processo químico e ou físico resultaram em uma matriz descelularizada com propriedades estruturais preservadas, indicando que esses tratamentos podem ser continuados e cumprem com critérios estabelecidos pela literatura. Adicionalmente, a metodologia histomorfológica proposta mostra-se promissora, contanto, mais estudos e análises estatísticas são necessários.

Palavras-chave: Aloenxerto. Descelularizacao. Doador cadáver. Nervo.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador