ANÁLISE DA EVOLUÇÃO CLÍNICA, LABORATORIAL E PSICOSSOCIAL DE PACIENTES DOADORES RENAIS DE UM SERVIÇO DE TRANSPLANTES DE CURITIBA - PR

SANTOS, Taynara Lopes dos1; NUNES, Milena Hay 3; GEHRING, Guilherme Fraga 3; LITVINSKI, Gabriela Baby 3; MEYER, Fernando2;

Resumo

Introdução:O transplante renal é o tratamento de escolha para pacientes com doença renal crônica em estágio final, apresentando melhor custo-benefício, melhor qualidade de vida e maior sobrevida a longo prazo, quando comparado à diálise. Quando feito com doador vivo, mesmo sem relação familiar, e por via laparoscópica, melhores são os prognósticos para o receptor e doador, com menor tempo de internamento e menor morbidade cirúrgica. Redução da taxa de filtração glomerular (TFG) após a cirurgia é uma consequência da doação, mas os riscos a longo prazo permanecem incertos. Todos os doadores devem receber seguimento regular e avaliações rotineiras para o acompanhamento de disfunções pela cirurgia.

Objetivo:Avaliar as variáveis clínicas do seguimento laboratorial do pós-operatório e seus principais desfechos em pacientes doadores renais de 2007 a 2017 em um serviço de transplante de Curitiba–PR.

Metodologia:Trata-se de um estudo retrospectivo observacional cuja coleta de dados se deu por revisão de prontuários e exames laboratoriais do sistema hospitalar em questão. Junto, houve aplicação de questionário aos participantes para análise dos aspectos psicossociais. Os resultados foram computados pelo programa SPSS

Resultados:Foram analisados 121 pacientes, dos quais 96 doaram o rim esquerdo e 75% da amostra era do sexo feminino. A idade média foi de 43 anos, com mediana de 44, idade mínima de 21 anos e máxima de 68. A TFGe média foi de 104,1 mL/min/1,73m² no pré-operatório, caindo para 65 no pós-operatório imediato e 69,5 em 1 ano. Noventa pacientes desenvolveram algum estágio de doença renal crônica (DRC) em 1 ano após a nefrectomia, porém essa incidência de DRC não demonstrou correlação com a idade do doador (p > 0,05). O IMC médio foi de 26,6 no pré-operatório e 27,6 no pós-operatório de 1 ano. Dos pacientes hipertensos previamente à cirurgia, 9 tornaram-se normotensos após 1 ano (p < 0,05) e 4 normotensos desenvolveram hipertensão nesse mesmo intervalo (p > 0,05). A análise psicossocial demonstrou não haver prejuízos para os doadores, uma vez que 100% dos entrevistados não sentem arrependimento pela doação. Maior preocupação com a saúde e medo de falência renal no futuro são os sentimentos mais prevalentes.

Conclusões:Dada a importância do transplante renal, identificar e trabalhar sobre os fatores que definem o prognóstico do doador é de extrema relevância, visando diminuir o tempo de internação hospitalar e suas complicações. Otimizar o follow up clínico é um dos pilares para facilitar a identificação e manejo de complicações a curto e longo prazo nesses pacientes após a cirurgia.

Palavras-chave:Doação renal. Doença renal crônica. Transplante

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador