O SER HUMANO NA PERSPECTIVA DA ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA

SANTOS, Fernanda Tramontini dos1; SOUZA, Waldir2;

Resumo

Introdução:Este PIBIC busca aplicar a Antropologia Teológica em favor da Bioética, para defesa da vida, promoção e proteção humana, no contexto da sociedade pós-moderna, interconectada, tecnológica e consumista.

Objetivo:Busca-se responder: Até que ponto pode-se negar a especificidade antropológica do ser humano? Como preservar e desenvolver as dimensões humanas no contexto tecnocientífico/tecnológico? O espírito se contrapõe à matéria? Como promover a humanidade sem extrapolações? Quais as delimitações a favor da vida? Quem tem acesso a elas? Por que o sofrimento e a dor são características exclusivamente humanas? A dor tem sentido? Qual? O que esperar da Teologia, das outras ciências e da Bioética em relação aos vulneráveis?

Metodologia:Análise bibliográfica comparativa das obras “Unidade na pluralidade”, de Alfonso Garcia Rubio, e “Amor líquido”, de Zygmunt Bauman, na perspectiva da bioética, da ciência e da espiritualidade.

Resultados:Bauman denuncia que, especialmente no contexto europeu e norte-americano, as relações humanas estão líquidas: desfazem-se a cada nova oportunidade de se relacionar. Pessoas e coisas tornaram-se objetos de consumo. O desejo de união, intrinsecamente humano, passou a se manifestar no compartilhamento de interesses ocasionais por uma elite global conectada, que constitui um “nós” contra os diferentes (pobres, estrangeiros...), chamados lixo humano. Sob a forma de “mixofobia” e xenofobia, sobre eles é projetada a ansiedade provinda das incertezas globalmente produzidas (precarité). Tal aversão tornou-se condição existencial do ser humano pós-moderno. Rubio, no contexto latino-americano, considera o enfrentamento da realidade sob a perspectiva da fé. Propondo o retorno às teologias bíblica e da criação, afirma que a visão dualista provocou o descuido da corporeidade humana e que uma relação pessoal com Deus oferece ferramentas para curar as relações interpessoais. Inseridos numa espécie de personalidade corporativa, todos estão interconectados solidariamente para o mal (pecado) e, principalmente, para o bem (salvação em Cristo). Isso torna cada um chamado a mudar a própria imagem na história, da submissão adâmica para a liberdade crística, através da assunção da condição humana de criatura terrestre e da responsabilidade diante do próximo, da história e da natureza (criação) na condição de co-criador dela. O mal é consequência da autodivinização humana (rejeição da condição de criaturidade) e do não acolhimento da presença divina. Apesar dos contextos distintos, as obras convergem entre si, identificando as especificidades humanas: autonomia, responsabilidade, liberdade, perseidade (dignidade) e transcendência. Percebem nas mazelas terreno fértil para o exercício da liberdade, da criatividade e da moral. Alertam para o perigo real de desastre humano e ambiental decorrente do consumismo, apontando como solução a transcendência e a irredutibilidade do ser humano à sua posição social, seja porque todos compartilham um destino comum enquanto espécie ou porque receberam o influxo divino no ato da concepção.

Conclusões:Conclui-se que, dentro da Bioética e no diálogo com a Ciência, a reflexão teológica é salutar para o enfrentamento desses desafios, oferecendo-lhes abordagem cristológica, ecológica e holística. Assim, a Teologia assume papel duplamente profético: (I) anunciar a urgência da tomada de consciência e (II) proclamar a esperança salvífica que possibilita a real de transformação da humanidade e de toda a criação.

Palavras-chave: Pós-modernidade. Sociedade líquida. Antropologia teológica. Teologia da criação. Transcendência.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador