A ARACNOFOBIA: UMA ANÁLISE BIOÉTICA

HESSEL, Annita Presezeniak1; FISCHER, Marta Luciane2;

Resumo

Introdução:A aracnofobia permeia o universo de representação social durante o seu percurso evolutivo, abastecendo um repertório simbólico apropriado pela literatura, arte e ciência. O presente estudo pretende testar a hipótese de que as pessoas naturalmente possuem cautela com relação a aranhas, sendo as manifestações mais intensas casos pontuais e que essa aversão, podendo envolver condicionantes evolutivos e culturais, poderia comprometer a biota componente da ecologia urbana caso não trabalhada por um processo educativo.

Objetivo:Analisar a representação social das aranhas por diferentes seguimentos da sociedade.

Metodologia:O presente estudo foi conduzido em duas etapas, uma revisão de literatura a fim de mapear os estudos conduzidos sobre aracnofobia e uma avaliação da representação dos animais perigosos para a sociedade por meio de questionário on line e entrevistas presenciais.

Resultados:Os resultados obtidos contrariaram a hipótese inicial de uma alta incidência de aversão ou medo de aranhas, principalmente entre jovens e moradores de Curitiba em decorrência da situação atípica apresentada pela cidade. Tanto a amostra quantitativa quanto qualitativa atestou a associação de diferentes animais com sensação ruins, e a identificação da aranha-marrom como um animal peçonhento, que deve ser controlado. Embora a treme-treme não seja totalmente diferenciada da aranha-marrom, foi bem aceita pela sociedade como possível controlador biológico da aranha de interesse médico.

Conclusões:A hipótese inicial de que os habitantes de Curitiba, principalmente os jovens, teriam uma aversão à aranha marrom imposta pela mídia sensacionalista igualmente não se confirmou, mostrando que a população demostrou conhecer como controlar a espécie de interesse médico, diferenciando-a de outras aranhas sinantrópicas inofensivas e prontificando-se a tolerar essas aranhas caso seja uma controladora ética da aranha marrom. Esses dados são fundamentais para subsidiar a atuação da Bioética Ambiental na promoção de um controle ético da fauna urbana de forma a reaproximar as pessoas dos animais com quem divide o ambiente, e assim mitigar as vulnerabilidades de todas as formas de vida.

Palavras-chave:Aracnofobia. Bioética Ambiental. Biofilia. Biofobia.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador