INCIDÊNCIA DO BURNOUT NOS MÉDICOS QUE TRABALHAM EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA NA CIDADE DE CURITIBA - PR

PINTO, Jéssica Ayres Correia1; STORRER, Karin Mueller2;

Resumo

Introdução:A unidade de terapia intensiva (UTI), dentre todos os ambientes médicos, é o local mais propenso ao estresse e ao desgaste físico e mental. Isso pode implicar no desenvolvimento da Síndrome de Burnout (SB), que se manifesta como a combinação de uma alta exaustão emocional, elevada despersonalização do indivíduo e baixa realização pessoal.

Objetivo:A finalidade desse estudo foi identificar a prevalência da SB e de suas três dimensões clínicas em médicos que atuam nas UTIs adulto da cidade de Curitiba/PR.

Metodologia:Esse estudo observacional transversal realizou-se por meio da aplicação do validado questionário MBI (Maslach Burnout Inventory) para identificação da SB, encaminhado aos médicos por email, do qual obtivemos 77 respostas (48% dos questionários enviados).

Resultados:O perfil de nossa amostra foi principalmente de médicos do sexo feminino (61%), casados (52%), sem filhos (71%) e especialistas em terapia intensiva (49%). Em relação ao ambiente de trabalho, detectamos que 70% dos médicos atuam como plantonistas, sendo que 83% escolheram a UTI como opção de carreira. Ao analisarmos a relação entre a carga de trabalho (horas/semana) e a exaustão emocional, encontramos que os profissionais com mais de 69 horas semanais obtiveram alto índice de exaustão emocional, com este dado tendo tendência à relevância estatística (p=0,056). Sobre o perfil dos 21 hospitais nos quais os médicos atuam, constatamos que 44% trabalham exclusivamente em hospitais públicos e que 70% possuem algum tipo de vínculo acadêmico em sua rotina. Identificamos que independente do ambiente ser público ou privado, o nível de estresse dos médicos permaneceu alto, porém sem relevância estatística. O perfil acadêmico do hospital (acadêmico x não acadêmico) não demonstrou diferença em relação ao percentual da SB, porém a formação do profissional (intensivista x não intensivista) obteve diferença, com os médicos não intensivistas apresentando um índice de Burnout quatro vezes maior, entretanto esse dado também não foi estatisticamente relevante. Constatamos ainda que os médicos com baixa exaustão emocional, em sua maioria, praticavam uma atividade física e possuíam um lazer ou hobby, porém estes dados não alcançaram relevância estatística. Em relação aos critérios da SB, identificamos um alto índice de exaustão emocional em 57% dos médicos e uma associação de elevada exaustão emocional com elevada despersonalização em 46,7% dos entrevistados. Já para a SB propriamente dita, obtivemos critérios em 6,5% dos médicos.

Conclusões:Apesar do tamanho da amostra, nossos resultados são preocupantes, pois demonstram que mais da metade dos médicos já apresentam indícios para o desenvolvimento da síndrome, com a presença de um critério clínico. E que, aproximadamente, dois em cada cinco médicos apresentam dois critérios clínicos da SB. Além disso, observamos que, de forma semelhante a` literatura mundial, uma proporção considerável de médicos intensivistas possuem todos os critérios clínicos para a Síndrome de Burnout.

Palavras-chave:Burnout. Unidades de terapia intensiva. Médicos.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador