ESTRATÉGIAS DE COPING UTILIZADAS POR PAIS OU RESPONSÁVEIS APÓS OS FILHOS TEREM SIDO DIAGNOSTICADOS COMO AUTISTAS

KUCH, Isabelle Elisandra1; AOKI, Tatiany Honorio Porto2;

Resumo

Introdução:O Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta-se de forma precoce e estende-se por toda a vida do sujeito. Considerando sua cronicidade, especificidades e os cuidados singulares a serem prestados, observa-se que a recepção de diagnósticos dessa natureza pode abalar todo o sistema familiar, gerando importantes modificações em sua dinâmica; ademais, compreende-se esse contexto como potencial estressor para esses familiares, portanto é necessária a mobilização da família diante das dificuldades e necessidades da criança autista para gerar adaptação – esta não ocorre de forma linear, pois depende de muitas variáveis, dentre elas menciona-se o modo de funcionamento da família, os padrões de comunicação familiar, os desafios do transtorno, o apoio social e as estratégias de coping, que corresponde ao conjunto de estratégias de enfrentamento empregadas diante de eventos crônicos/adversos que atuam como estressores para o indivíduo, gerando adaptação. Assim, a pesquisa buscou investigar as estratégias de coping utilizadas por pais ou responsáveis de indivíduos diagnosticados com TEA frente às modificações na dinâmica familiar decorrentes do diagnóstico e especificidades do transtorno.

Objetivo:Investigar as modificações na dinâmica familiar decorrentes do diagnóstico de TEA de crianças e adolescentes e as estratégias de enfrentamento utilizadas por pais ou responsáveis frente a essas mudanças. Coletar dados na literatura acerca das modificações na dinâmica familiar ocasionadas pelo TEA; entrar em contato com pais/responsáveis de crianças/adolescentes diagnosticados com TEA para convidá-los a participar da pesquisa; levantar dados sobre essa família; coletar brevemente dados sobre a trajetória familiar no processo de recepção do diagnóstico e verificar as principais mudanças na sua dinâmica; aplicar o Inventário de Estratégias de Coping; relacionar os dados obtidos com a literatura.

Metodologia:Foram contatados pessoalmente, através de e-mails ou ligações telefônicas, pais/responsáveis de sujeitos diagnosticados com TEA para convidá-los a participar da pesquisa. Foi agendado um horário e local para assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e aplicação dos instrumentos de coleta de dados. 17 indivíduos compuseram a amostra da pesquisa; a estes foi aplicado o Inventário de Estratégias de Coping de Lazarus e Folkman e uma breve entrevista semiestruturada. A análise dos dados foi realizada pelo programa estatístico SPSS v.24.

Resultados:Participaram da pesquisa 14 mães, dois pais e uma avó. Os dados obtidos revelam que as estratégias de suporte social, resolução de problemas e reavaliação positiva foram, respectivamente, as mais utilizadas. A estratégia menos utilizada foi a de afastamento.

Conclusões:Foi possível observar que a amostra demonstrou utilizar estratégias de enfrentamento efetivas frente às particularidades vivenciadas no convívio com o TEA. A principal modificação na dinâmica familiar apontada refere-se à alteração da rotina e vida social dos membros familiares, que devem agir de acordo com as demandas do sujeito autista. Dessarte, a pesquisa pode contribuir com a construção de conhecimento teórico específicosobre familiares que convivem com transtornos, permitindo aos profissionais que trabalham com essa população o emprego de intervenções mais adequadas e satisfatórias, beneficiando não apenas o familiar, mas o próprio indivíduo diagnosticado, visto que o sistema familiar funciona de modo interdependente.

Palavras-chave: transtorno do espectro autista. Estratégias de coping. Dinâmica familiar. Estratégias de enfrentamento.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador