USO DE DISPOSITIVOS INALATÓRIOS EM PACIENTES PORTADORES DE ASMA

GOMES, Camila Joviano1; SCHULTZ, Amanda Tremel 3; STORRER, Karin Mueller2;

Resumo

Introdução:A asma é uma doença respiratória crônica comum que afeta de 1 a 18% da população em diferentes países e é caracterizada por sintomas variáveis de sibilos, dispneia, aperto no peito e/ou tosse e por limitação variável do fluxo aéreo expiratório. A base do tratamento da doença são os medicamentos fornecidos por inalação, pois são rapidamente direcionados para a via aérea, aumentando sua deposição pulmonar e, por não precisar de doses altas, reduz efeitos colaterais sistêmicos. Todavia, a adesão a terapia é de suma importante para a melhora e controle clínico dos sintomas do paciente. Além da adesão, outro importante pilar no controle da doença é o uso correto do dispositivo inalatório. Estima-se que 90% dos usuários dos dispositivos inalatórios apresentam técnicas incorretas durante seu uso. Dessa forma, é indubitável a necessidade dos profissionais da saúde em orientar e demonstrar o manejo perfeito dos inaladores para todos os usuários.

Objetivo:Esse trabalho propôs compreender, investigar e esclarecer os principais obstáculos, erros e questionamentos dos pacientes enquanto demonstram a técnica de uso dos dispositivos inalatórios. Além de orientar o manejo perfeito na utilização dos inaladores aos pacientes com dificuldades.

Metodologia:Nesse estudo transversal observacional, analisou-se pacientes do Ambulatório Acadêmico do Hospital Nossa Senhora da Luz, na cidade de Curitiba/PR, maiores de 18 anos e em uso de dispositivos inalatórios. Para análise, foi elaborado um questionário em etapas de caráter objetivo, baseado nas instruções das bulas dos dispositivos inalatórios, e então, os pesquisadores avaliaram cada etapa durante o uso dos inaladores pelos pacientes. Tendo em vista o caráter subjetivo da observação, foi feito uma capacitação de conhecimento aos aplicadores do questionário.

Resultados:Nesse estudo registrou-se 54 pacientes, sendo a maioria: mulher, asmático, com idade média de 63 anos e em uso de dispositivo pressurizado. Observou-se que 88,88% (n=48) dos pacientes utilizaram de maneira errônea os dispositivos inalatórios, havendo maior dificuldade no manejo dos inaladores pressurizados, em relação aos em pó. Apenas 1 (2,77%) paciente usou de maneira perfeita todas as etapas do pressurizado e 5 (16,66%), o dispositivo em pó. A etapa de maior erro em ambos os inaladores foi a de “expirar normalmente antes de posicionar o dispositivo”. Encontramos 1 (2,77%) paciente que errou todas as etapas propostas no uso do dispositivo pressurizado. Como significância, foi descoberto que os pacientes que não utilizavam ambos os dispositivos, tinham mais chances de errarem no uso do dispositivo em pó (p=0,001), tinham mais chances de acertarem pelo menos uma etapa do pressurizado (p=0,042) e menos chances de acertar todas as etapas do mesmo (p=0,046).

Conclusões:São raros os pacientes que conhecem o manejo perfeito dos dispositivos inalatórios, o que acarreta em menores taxas de controle da doença atual do doente. Esses achados devem encorajar os profissionais da saúde a ensinar e demostrar regularmente a técnica de uso dos dispositivos inalatórios aos pacientes.

Palavras-chave:Asthma therapy. Inhalation devices. Pulmonary disease.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador