PLANEJAMENTO E IMPROVISAÇÃO: ENSINO E SUA PRÁTICA EM ORGANIZAÇÃO ACADÊMICA

RAUSCH, Camila de Castilho1; JUNIOR, Vitor Meyer2;

Resumo

Introdução:As insuficiências de um planejamento racional tendem a se distanciar na prática gerencial. Isto se torna mais evidente no contexto das organizações complexas, como as universitárias, na sua gestão acadêmica e, em particular, no planejamento das disciplinas e de suas práticas pelos professores em sala de aula.

Objetivo:Diante deste contexto, esse trabalho foi realizado com o objetivo de analisar a improvisação organizacional praticada por professores em sala de aula, a partir da verificação de ações que foram previamente planejadas e de ações que foram efetivamente praticadas por esses docentes ao ministrar disciplinas em nível de graduação.

Metodologia:O estudo conduzido foi de natureza qualitativa, por meio da estratégia de estudo de caso. Para tanto, efetuou-se a observação participante da prática docente em sala de aula, nas diferentes disciplinas cursadas pela pesquisadora, juntamente com entrevistas com os docentes que aceitaram em colaborar com a pesquisa.

Resultados:Dentre os achados da pesquisa destacam-se (i) que o processo de ensino-aprendizagem é complexo e demanda a necessidade do docente adaptar-se aos elementos inesperados; (ii) a não relação da natureza da disciplina com a ocorrência de ações não planejadas; e (iii) que profissionais com maior tempo de experiência, confiança, vivência e proximidade com a temática conseguem mais facilmente desviar-se do planejamento disciplinar face aos imprevistos. Os resultados revelam que, ainda que exista um certo preconceito com a palavra “improvisação”, palavras como adaptação e flexibilidade fazem parte do discurso dos docentes para se referirem aos momentos não programados em seus planos. Entretanto, ainda que comumente vinculada a sentidos e significados negativos, a improvisação, nesta pesquisa, recebeu caráter diverso. Três foram os significados a ela atribuídos: (i) como um complemento ao planejamento, uma vez que a estrutura mínima (composta pelo planejamento e cronograma disciplinar) não apenas constrange a ação, mas também facilita a inovação e criatividade; (ii) como uma atividade planejada e, ainda, (iii) como oposta ao plano.

Conclusões:Como conclusão, acentuam-se os achados da pesquisa como a importância do equilíbrio. Assim como a improvisação traz benefícios para a atividade docente em sala de aula, a estrutura mínima também é necessária para nortear e direcionar as atividades e práticas docentes. Porém, essa estrutura não deve ser considerada como algo fixo e pré-determinado e tão pouco as adaptações e a flexibilidade como elementos prejudiciais, independentemente de como essa “fuga ao plano” seja denominado.

Palavras-chave:Improvisação organizacional. Planejamento. Prática docente. Sala de aula.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador