LUXAÇÃO DOS OSSOS DO CARPO: AVALIAÇÃO DO TRATAMENTO CIRÚRGICO

PEREIRA, Fernanda Martins Gerhardt1; GIOSTRI, Giana Silveira2;

Resumo

Introdução:As luxações dos ossos do carpo são lesões graves associadas a traumas de alta energia. Na literatura, são relatadas como raras; porém, observamos uma frequência considerável na emergência de nosso Hospital Escola nos últimos anos. O tratamento é cirúrgico, para reconstruir ligamentos e fixar eventuais fraturas. O diagnóstico e o tratamento dessas lesões são de extrema importância pois a funcionalidade do membro superior é um fator que afeta muitos aspectos da vida do paciente – pessoal, familiar e profissional – e, por sê-lo, requer um acompanhamento de longo prazo para avaliação dos resultados.

Objetivo:Realizamos um estudo clínico e radiológico, a longo prazo, dos pacientes com diagnóstico de luxação dos ossos do carpo, associada ou não a fraturas, submetidos a tratamento cirúrgico no Hospital Universitário Cajuru (HUC) nos últimos 4 anos e operados pelos especialistas em cirurgia da mão.

Metodologia:Consultamos o sistema do HUC para levantamento dos prontuários e colhemos idade, sexo, profissão, mecanismo do trauma, data do acidente e data e tipo de cirurgia. O estudo teve média de 44 meses de pós-cirúrgico. Na avaliação clínica investigamos: mobilidade articular – com um goniômetro, medimos os graus de flexoextensão, desvio radial e ulnar e pronosupinação, e comparamos o lado lesado e o contralateral; força muscular – força de preensão com dinamômetro de Jamar; e respostas ao quickDASH, questionário específico para função da mão. No estudo radiográfico medimos a altura carpal pelos métodos de Youm e Pires. Os dados foram organizados em planilha Excel e analisados com o programa computacional IBM SPSS Statistics v.20.0. A pesquisa foi aprovada pelo CEP.

Resultados:Foram avaliados 10 pacientes do sexo masculino, com idade média de 37,1 anos e principal mecanismo de trauma sendo acidente de motocicleta (60%). A mão direita foi acometida em 50%, e a mão dominante em 30%. A maioria das lesões (80%) foi não exposta e em 60% houve fratura associada (90% escafóide e 10% estilóide radial). A média entre trauma e cirurgia foi de 5,2 dias e 90% dos casos passaram por reconstrução ligamentar por acesso dorsal. Em todos os casos foi utilizado Fio de Kirschner, associado ou isolado, com tempo médio para retirada de 13,2 semanas. Comparando com o punho contralateral: o movimento mais afetado foi o desvio radial (40,7%), e o menos afetado foi a pronação (0%); a força teve média de diferença de 37,2%. O quickDASH teve média de 37 pontos. 40% dos entrevistados referiu dor ao repouso e 70% referiu dor de baixa intensidade no punho para atividades de carga. As atividades esportivas foram retomadas por 40%. Nas radiografias, houve média de 0,448 de altura carpal no Índice de Youm e 1,281 no de Pires.

Conclusões:A análise clínica e radiográfica dos 10 casos de luxação perilunar do carpo, associada ou não a fratura, realizada em média 44 meses após tratamento cirúrgico demonstrou, comparando o lado lesado e o não lesado, que o movimento mais comprometido foi o desvio radial, com perda média de 40,7%; força com perda média de 37,2% e 17% de diminuição média da altura carpal.

Palavras-chave:Luxação. Fratura-luxação. Transescafoperilunar. Carpo. Longo prazo

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador