A RELAÇÕES ENTRE BRASIL E ÁUSTRIA DURANTE A PRIMEIRA REPÚBLICA (1889-1930)

SANTOS, Barbara Machado Hlatki dos1; MASKE, Wilson2;

Resumo

Introdução:O movimento migratório afeta diretamente a geopolítica dos países e interfere na cultura nacional, pois altera a demografia e economia destes, além de trazer consigo hábitos diferentes, que podem ou não serem aceitos pelos países receptores. Neste estudo, pretende-se estudar aos relações do Brasil com o Império Austro-Húngaro, sob a perspectiva da imigração ucraniana.

Objetivo:Este trabalho tem por objetivo analisar o contexto da imigração ucraniana proveniente da região da Galícia Oriental para o Brasil, com ênfase no Estado do Paraná, considerando a geografia dominada pela Áustria sobre os imigrantes da mesma e os interesses do governo republicano brasileiro em relação à cultura do trabalho agrícola, ao manter as políticas imigratórias e de colonização do período imperial, partindo de sua alocação até o fim da terceira imigração em massa no ano de 1914 de imigrantes rutenos/ucranianos dessa região e da inexistência estatal da Ucrânia.

Metodologia:Após a definição do enfoque para a análise da pesquisa, com base em fontes primárias e secundárias, avalizadas pela Teoria das Forças Profundas desenvolvida por Pierre Renouvin e Jean-Baptiste Duroselle, que propõe o entendimento das forças que refletem nas ações dos Estados (nações) em virtude dos aspectos políticos, econômicos e socioculturais. Foi considerada a fonte primária do jornal paranaense A República para respaldo da percepção local acerca do processo imigratório ucraniano, bem como verificação de Relatórios do Ministérios das Relações Exteriores para se buscar as parcerias diplomáticas.

Resultados:Nos resultados obtidos verificou-se a pouca atuação dos ministros das Relações Exteriores do Brasil no período de Carlos Augusto de Carvalho (1895-1897) ao Barão do Rio Branco (1906-1912) em relação à política imigratória, porém com relevante impacto em decisões diplomáticas na definição de fronteiras e pensamento panamericanista. No entanto, as agências de imigração provaram-se eficazes na propaganda junto aos camponeses eslavos, embora seu trajeto e chegada não tivessem se consolidado conforme as promessas. Dentre os interesses austríacos compreendia-se as dificuldades internas da política dualista do Império Austro-Húngaro iniciada em 1867 e as más condições socioeconômicas da fraca industrialização na região da Galícia, além de uma superpopulação agrária.

Conclusões:Os ucranianos galicianos, pertencentes ao grupo dos eslavos, promoveram o desbravamento das densas florestas paranaenses e afixaram-se na região com núcleos coloniais como, por exemplo, os atuais municípios de Prudentópolis, Marechal Mallet, Rio Azul, entre outros, mesmo com diversos infortúnios. Pode-se dizer que embora a bilateralidade das políticas imigratórias não tenha sido acentuada entre Brasil e Áustria, os imigrantes galicianos que vieram ao território brasileiro alavancaram a economia agrária de subsistência e depois influenciaram os aspectos culturais no território paranaense.

Palavras-chave: Política Externa Brasileira. Primeira República Brasileira. Relações entre o Brasil e o Império Austro-Húngaro. Imigração Ucraniana para o Brasil. Imperialismo.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador