AS RELAÇÕES ENTRE BÉLGICA E BRASIL DURANTE A PRIMEIRA REPÚBLICA (1889-1930)

VERDE, Guilherme Marins Arco1; ARCOVERDE, Guilherme Marins 3; MASKE, Wilson 3; MASKE, Wilson2;

Resumo

Introdução:A partir da Proclamação da República, o tema relações internacionais passou a assumir uma crescente importância no cenário político brasileiro. O imperialismo do fim do século XIX e início do XX se mostrava um desafio para o governo republicano brasileiro. Não se submeter a nenhuma das grandes potências imperialistas era um de seus objetivos. Mas o Brasil não poderia se isolar em função de seus interesses econômicos. A opção então era ampliar as relações políticas e comerciais do Brasil de modo a não se tornar dependente de nenhuma grande potência europeia ou dos Estados Unidos, mas interagindo com elas de acordo com nossos interesses.

Objetivo:O objetivo do presente estudo é analisar as relações entre o Brasil e a Bélgica durante a Primeira República (1889-1930). As relações bilatérias entre Brasil e Bélgica podem ser observadas pelos intercâmbios econômicos, sociais, culturais e políticos, que abrangem políticas de emigração, formação de colônias, investimentos econômicos e tecnológicos. Com a visita da família real belga ao Brasil em 1920, foi documentada a primeira vez que um monarca europeu esteve em solo sul-americano, um dos fatos mais relevantes para a história da diplomacia dessas duas nações e que obteve consequências econômicas e políticas favoráveis aos dois países.

Metodologia:A metodologia de análise adotada foi a desenvolvida por Jean-Baptiste Duroselle e Pierre Renouvin, denominada Teoria da Forças Profundas, relacionada com a História das Relações Internacionais. Essa teoria analisa o papel que a economia, a geografia, a política interna, a opinião pública, a psicologia social, exercem sobre a elaboração da política externa de um determinado país e nas suas relações internacionais.

Resultados:As fontes primárias utilizadas são jornais, documentos diplomáticos, resenhas do ministério das relações exteriores do Brasil, artigos e livros acadêmicos sobre o tema. A partir da análise destas matérias, principalmente de periódicos, foi possível mapear, segundo a Teoria das Forças Profundas, os principais interesses e objetivos que aquela visita pretendia alcançar. No entanto, pela dificuldade em encontrar outras fontes relevantes sobre o fato, não foi possível se estender mais que o apresentado neste projeto, sendo deixado para uma futura e mais aprofundada pesquisa.

Conclusões:A conclusão à qual chegamos foi que no período estudado, a Bélgica atendeu aos interesses brasileiros de fugir ao esquema do imperialismo, pois o Brasil tentava não se filiar aos interesses específicos de uma determinada potência, mas ampliar a lista de parceiros internacionais almejados e que possibilitavam uma certa margem de manobras. Com isso, o país não era submetido às pressões de uma grande potência, garantia certo grau de independência e atingia, ao menos em parte, seus objetivos internacionais, que eram, entre outros, a abertura de mercados consumidores para os produtos brasileiros, a presença de representações diplomáticas e consulares no países parceiros para a defesa de interesses brasileiros nestes locais, arregimentação de fontes de investimento estrangeiro no Brasil, garantia de fornecedores de produtos de alta tecnologia com preços mais razoáveis e instalação de empresas de tecnologia em território brasileiro.

Palavras-chave: Política Externa do Brasil. Primeira República Brasileira. Relações entre a Bélgica e o Brasil. Imperialismo. Relações Internacionais do Brasil.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador