PERFIL EPIDEMIOLOGICO AMBULATORIAL E EVOLUÇÃOECOCARDIOGRÁFICA DOS PACIENTES COM INS. CARDIACACLASSIFICADOS COMO “MID RANGE” (ESCHF GUIDELINES)

FAUAT, Natália Izycki1; ZYTYNSKI, Lidia Ana2;

Resumo

Introdução:Uma nova categoria na classificação de insuficiência cardíaca (IC) foi recentemente proposta pela European Society of Cardiology Heart Failure Guidelines: os pacientes com fração de ejeção do ventrículo esquerdo mid-range (FEVE-m) tem valores entre 40-49% e constituem uma "área cinzenta" no conhecimento da IC devido à falta de conhecimento sobre sua epidemiologia, clínica e evolução

Objetivo:Determinar características clínicas e epidemiológicas dos pacientes com FEVE-m, bem como determinar mortalidade e evolução ecocardiográfica desta população.

Metodologia:Trata-se de um estudo retrospectivo realizado através de coleta de dados em prontuários do ambulatório de IC do Hospital Santa Casa de Curitiba, dentre os quais foram selecionados pacientes com FEVE-m (40 a 49%) para análise epidemiológica; destes, os pacientes que possuíam ecocardiograma prévio e posterior à FEVE-m foram divididos em três grupos: “Better”, que apresentava previamente fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) <40%; “mid-range” que mantinham anteriormente uma FEVE entre 40 e 49% e “never low” que possuíam uma FEVE anterior com valor =50%. A partir desta seleção, avaliou-se aspectos clínicos, progressão ecocardiográfica e mortalidade.

Resultados:Foram analisados 405 prontuários e destes selecionados 169 pacientes com FEVE-m, os quais apresentaram uma idade média de 58,4 anos, com predomínio do sexo masculino (72,8%), sendo a principal etiologia a isquêmica (80,8%), dentre as comorbidades mais prevalentes estão a hipertensão arterial sistêmica (67,1%), doença arterial coronariana (51,5%) e o diabetes mellitus (33,5%), o sintoma mais relatado foi a dispneia em 66,3% dos pacientes, sendo a grande maioria (80,8%) classificados como grau I e II segundo a classificação funcional do New York Heart Association. Além disso, os medicamentos mais utilizados foram: beta-bloqueadores (95,8%), estatinas (69,5%), espironolactona (67,5%) e diuréticos de alça (62,7%). Na análise da evolução ecocardiográfica, os grupos better e mid-range evidenciaram uma redução significativa da FEVE média, tal evento também foi evidenciado no grupo never low, porém de forma não significativa. A mortalidade nos grupos better e mid-range foi de 11% e no grupo never low de 0%, no entanto estes dados não apresentaram diferença estatística significativa.

Conclusões:A população FEVE-m constitui uma entidade distinta, apresentando características intermediárias aos pacientes com FEVE reduzida e FEVE preservada. Sendo que dentre os pacientes com FEVE-m, os subgrupos better, mid-range e never low caminham na mesma direção em sua história natural da doença com redução da FEVE. No entanto ainda permanece a necessidade de mais estudos clínicos focados na evolução desta população, a fim de traçar um perfil do prognóstico e direcionar condutas na prática clínica.

Palavras-chave:Insuficiência cardíaca. Epidemiologia. Evolução clínica.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador