OS ÍNDIOS DO JAGUARIBE, DE FRANKLIN TÁVORA. ANÁLISE DA REPRESENTAÇÃO DA IDENTIDADE NACIONAL.

GUESSO, Maiara Jennifer1; KAVISKI, Ewerton de Sa2;

Resumo

Introdução:A obra de Franklin Távora permanece, em grande medida, ainda nas páginas dos jornais do século XIX e alguns de seus romances, publicados em livro, são raridades bibliográficas nos dias de hoje.

Objetivo:A presente pesquisa de iniciação científica tem como objetivo analisar formalmente o romance Os Índios do Jaguaribe, a partir de dois elementos que constituem sua construção. São eles: (a) as relações de intertextualidade entre a obra de Távora, os poemas de Gonçalves Dias e certos arquétipos da mitologia greco-romana; e (b) o tipo de narrador e o modo de focalização presente na obra.

Metodologia:Para tanto, utilizamos como fundamentação teórica Laurent Jenny, Norman Friedman, Robert Scholes e Robert Kellogg. Após a articulação entre a teoria e o objeto, buscou-se, por meio de encontros regulares com o professor orientador, refletir acerca da concepção de “o que é o indígena?” por parte de Franklin Távora.

Resultados:Percebeu-se, através das conversas, que as relações intertextuais auxiliam na construção dos personagens indígenas e europeus, e o tipo de narrador adotado, o histor, dá conta de relatar os acontecimentos por ele observados, ao mesmo tempo em que afirma suas opiniões sobre esses personagens e sobre as ações por eles cometidas. Concluída essas primeiras etapas, organizou-se a produção dos textos, baseado na reflexão desenvolvida nos encontros com o professor orientador, que abordaram tópicos como o detalhamento das figuras de retórica na intertextualidade, bem como a relação do narrador com o tempo, espaço, personagens, ação e até mesmo sua linguagem.

Conclusões:Em termos de considerações finais, entendeu-se que o narrador de Franklin Távora costura seu texto com os textos provindos de outras obras indianistas, e essa costura resulta numa representação ambígua dos indígenas e dos europeus: aqueles são bárbaros, selvagens, impulsivos, mas também ingênuos e nobres; já estes são cultos e intelectuais, porém também são corruptos e ambiciosos. Ainda que Távora demonstre certo apreço pelos indígenas ao adjetivá-los como nobres, sua insistência em classificá-los através da linguagem rebuscada e repleta de referências à cultura greco-romana, deixa clara sua preferência pela cultura europeia e pela civilização.

Palavras-chave: Século XIX. Literatura. Indianismo. Intertextualidade. Narrador.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador