AVALIAÇÃO TERMOGRÁFICA DE EQUINOS DE HIPISMO EM TREINAMENTO E SUA RELAÇÃO COM AS SELAS UTILIZADAS

BRANDES, Fernanda Muniz Néquer1; JUNIOR, Pedro Vicente Michelotto2;

Resumo

Introdução:O mau posicionamento da sela, é associado a lesões lombares e dos membros, o que afeta o bem-estar e desempenho do animal atleta. A escolha de uma sela apropriada, tanto para o cavalo quanto para o cavaleiro, não é uma realidade no meio equestre.

Objetivo:O presente trabalho visou avaliar o ajuste das selas em equinos de hipismo, através do uso da termografia infravermelha.

Metodologia:Foram avaliados 20 cavalos sem distinção de sexo, idade e nível técnico. Inicialmente foi aplicado um questionário ao proprietário/tutor. Em seguida foram obtidas imagens termográficas (câmera Flir® modelo E50bx) das costas e da sela utilizada, em três momentos distintos: repouso (M0), depois de submeter o equino a exercício em guia por 10 minutos (M1) e depois de submeter o equino a exercício montado por 20 minutos (M2). Em seguida, as imagens foram avaliadas no programa Flir Tools e as temperaturas (graus Celsius) nos locais de eleição foram passadas a planilhas excel e analisadas em programa GraphPad Prism 5.0, considerando significativo p<0,05. Dados são apresentados como média ±desvio padrão.

Resultados:Os resultados indicaram que a maioria dos animais avaliados treinavam mais de 5 vezes na semana com uma duração de 30 a 60 minutos, um tempo longo para estarem utilizando uma sela mal ajustada. Observamos que 15% dos proprietários indicaram pouco satisfeitos com o desempenho do animal. Esses mesmos animais mostraram alterações nas temperaturas aferidas durante o estudo. Em 25% dos cavalos a sela estava deslocada em direção à cernelha. Na avaliação de simetria mais de 50% animais apresentaram temperaturas assimétricas quando comparando as cinco divisões, tanto na sela quando nas suas costas. O teste de ANOVA e Tukey nos indicou que houve aumento de temperatura nos locais de avaliação da sela do M0 e M1 para o M2 e que houve aumento na temperatura das costas do cavalo apenas do M0 para o M2, sugerindo que entre o exercício com guia e com o cavaleiro não há alterações significativas de temperatura corpórea.

Conclusões:Concluímos que o ajuste de sela não é feito de forma adequada, resultando em diferenças na distribuição do contato sobre as costas dos cavalos, e a avaliação termográfica se mostrou eficaz para este tipo de investigação. Os resultados nos sugerem que existe uma relação do posicionamento da sela com as costas do animal, podendo causar uma queda de desempenho atlético e de seu bem-estar. Utilizando a termografia podemos prevenir que essas alterações ocorram, procurando sempre um melhor ajuste da sela para o cavalo e seu cavaleiro.

Palavras-chave:Bem-estar. Cavalos. Equitação recreativa. Lesões lombares. Termografia infravermelha.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador