AVALIAÇÃO COMPORTAMENTAL DE EQUINOS DE HIPISMO EM TREINAMENTO E SUA RELAÇÃO COM AS SELAS UTILIZADAS

SILVA, Leticia Batista da1; JUNIOR, Pedro Vicente Michelotto2;

Resumo

Introdução:O mau posicionamento, ou ajuste incorreto da sela, são associados frequentemente a uma dor lombar em equinos, o que afeta de forma direta o bem-estar do animal atleta. Como o diagnóstico de dor relacionada ao uso da sela é de difícil precisão, uma maior utilização de recursos se faz necessária. A Escala Facial de dor específica para equinos tem sido efetiva no diagnóstico tanto de dores intensas, moderadas ou leves.

Objetivo:O presente trabalho visou avaliar as implicações do mau ajuste das selas em equinos de hipismo, por meio do comportamento de dor e reatividade, utilizando o método de avaliação facial de dor antes e após o exercício.

Metodologia:Neste projeto foram avaliados 20 cavalos, sem distinção de sexo, idade e nível técnico. Sendo primeiramente realizado um breve questionário ao proprietário, levando em consideração a satisfação do mesmo sobre o desempenho do cavalo, raça do animal, o número de pessoas que montam o mesmo cavalo, tempo de uso da sela, número de cavalos e número de cavaleiros que utilizam a mesma sela. A avaliação da escala facial de dor em equinos (Horse Grimace Scale – HGS) utilizando a metodologia descrita por Dalla Costa et al. (2014), foi aferida em dois momentos distintos: antes de submeter o equino a exercício (M0) e depois de submeter o equino a exercício montado por 20 minutos (momento 2 – M2) e por dois avaliadores diferentes, um avaliando presencialmente e outro por meio de vídeos. Após o encilhamento, uma foto lateral foi feita para verificar o posicionamento da sela, e no momento do encilhamento dos cavalos, todos os movimentos de membros, pescoço e cabeças foram gravados com intuito de se medir a reatividade durante o encilhamento, em escores de 1 a 4.

Resultados:O escore total de dor pelos avaliadores presencial e por vídeo, foi igual entre ambos na avaliação inicial (p = 0,075), porém diferentes após o exercício (p = 0,003). Comparando o antes e depois de cada avaliador, o escore total foi maior na avaliação após o exercício (p=0,0002) em relação a antes para a avaliação presencial, o que não aconteceu na avaliação por vídeo, antes e depois foram iguais (p = 1.000). Em relação ao escore de reatividade, houve uma mediana de escore 2/4. O posicionamento da sela de 75% dos cavalos foi sobre a lombar, e os 25% restantes tiveram um posicionamento sobre a cernelha.

Conclusões:A aplicação da avaliação de escore facial de dor presencial e por vídeo teve discordância após o exercício, possivelmente pela influência do ambiente e ciência dos momentos da avaliação por parte do avaliador presencial, porém, ao comparar antes e depois de cada avaliador os valores obtidos são significativos e mostram a importância de uma boa sela e um bom ajuste da mesma. Correlacionado a esta questão o escore de reatividade e o posicionamento da sela, são de grande importância. A junção dos três parâmetros em cada cavalo possibilita um diagnóstico de dor mais preciso, além de refletir no nível de satisfação dos proprietários.

Palavras-chave:HGS. Ajuste de selas. Escore de reatividade. Qualidade da sela.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador