A ÉTICA SILENCIOSA E O LIMITE DO MUNDO DE WITTGENSTEIN

EPIFANIO, Ricardo Gabriel Mokwa Neves1; BORGES, Valdir2;

Resumo

Introdução:Ludwig Wittgenstein, o maior filósofo do século XX, ainda muito jovem, aos vinte e quatro anos de idade foi incumbido de impulsionar a lógica russelliana, contida na obra Principia Mathematica. Isolou-se nos fiordes noruegueses de modo a conseguir solucionar alguns basilares problemas lógicos.Almejava reescrever ou readequar partes da obra de Bertrand Russel, como aluno do mesmo; denominava a isso o “inferno da lógica”. Logo que eclodiu a Primeira Guerra Mundial, Wittgenstein não hesitou em alistar-se voluntariamente no primeiro exército austro-húngaro, numa batalha contra os desassossegos da vida e da Lógica. Em meio à turbulência da guerra, elaborou um tratado sobre lógica, que pretendia publicá-lo com a ajuda de Bertrand Russell. Dita obra será nosso objeto de estudo, o Tractatus Logico-Philosophicus. Ademais, decidiu servir no fronte de batalha, pois a iminência da morte impelia-o à reflexão filosófica. Nesse período, pensava sobre lógica, aos poucos, elaborando-a em forma de tratado. Não obstante, o contato com a morte, conduziu-o, simultaneamente, à reflexão acerca da alma humana, a função da linguagem e seus limites, o misticismo e outros. É uma virada peculiar, considerando que é um tratado sobre lógica. O autor se mostra ciente, pois diz que, durante esse período, sua obra estendeu-se dos fundamentos da lógica à essência do mundo. Todavia, veremos que tais indagações que, prima facie, nos parecem impróprias em um trabalho de cunho lógico, seguem positivamente um raciocínio rigoroso. Especificamente, a conexão entre lógica e mística, em Wittgenstein, será o itinerário a ser trilhado nessa investigação.

Objetivo:Aprofundar a investigação acerca da ética exposta no Tractatus Logico-Philosophicus de Wittgenstein. Por conseguinte, perpassaremos sua crítica à linguagem, de modo a alcançarmos o conceito de inefável, fundamental para a hermenêutica da Ética e o Silêncio no referido autor.

Metodologia:O método utilizado foi o qualitativo documental, ou seja, uma seleção obras, biografias e comentadores acerca do autor em questão. Além, é claro, de nosso principal objeto de estudo, a bibliografia primária, o Tractatus Logico-Philosophicus. Os materiais usados foram: papel, tinta, eventualmente os laboratórios de informática da PUCPR e a bibliografia disponível na biblioteca central da mesma universidade.

Resultados:Análise da ética wittgensteiniana, bem como do contexto histórico-filosófico, estabelecendo alguns paralelos e contraposições às teorias do filósofo e psicólogo norte-americano William James. Este, exerceu grande influência sobre Wittgenstein, sobretudo no que concerne ao misticismo. Além disso, procuramos resolver algumas indagações advindas de nossos paralelos entre Wittgenstein e William James no que tange ao papel do místico na ética.

Conclusões:Concluímos que o conceito de inefável em Wittgenstein vai além da intransferibilidade da experiência mística de William James. Destarte, as aporias levantadas durante esta investigação, especialmente, no que tange ao papel da mística na ética, enquanto uma experiência intransferível são resolvidas através de uma consideração cuidadosa do aspecto lógico da obra em voga.

Palavras-chave:Ética. Lógica. Misticismo. Inefável

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador