A JUSTIÇA COMO COMPONENTE FUNDAMENTAL PARA VIDA POLÍTICA EM ARISTÓTELES

COSTA, Felipe Ribeiro da1; PEREIRA, Jose Aparecido2;

Resumo

Introdução:A preocupação com a realidade político-social foi objeto de reflexão de muitos filósofos desde a antiguidade. Platão refletiu sobre a virtude como constituinte necessário para efetivar a cidade perfeita, que ao ser contemplada, logo pode ser exercida. Do mesmo modo Aristóteles colocou a questão das virtudes, especialmente a justiça, como elemento fundamental para a constituição da cidade ideal. Entretanto a virtude para o estagirita é resultado do hábito que busca o meio termo entre o excesso e a falta pelo direcionamento racional. A justiça é a virtude mais elevada porque possui um caráter social.

Objetivo:Como objetivo principal da pesquisa procuramos compreender em que sentido a justiça é o componente fundamental da vida política no pensamento de Aristóteles. Por isso se fez necessário por meio dos objetivos específicos, refletir sobre a ética das virtudes formulada pelo filósofo e como a justiça é mais excelente que as outras virtudes, bem como apontar em que medida a justiça é inerente à vida política por buscar o bem comum.

Metodologia:A pesquisa empreendida teve como preocupação principal compreender o sentido de justiça expresso por Aristóteles principalmente no livro V da Ética a Nicômaco e na Política. Por isso nossa atividade consistiu basicamente nos seguintes procedimentos metodológicos: leitura, análise e interpretação dos textos de Aristóteles. Ademais, debruçamo-nos sobre as reflexões realizadas por alguns de seus estudiosos, tais como o Curso de Filosofia Aristotélica de Eduardo C. B. Bittar, Aristóteles de Jonathan Barnes, Aristóteles: a justiça e a cidade, e Sobre a ética nicomaqueia de Aristóteles, ambos de Richard Bodéus. Além de outros estudiosos que refletiram sobre o assunto.

Resultados:Por meio da ética das virtudes de Aristóteles é possível notar a necessidade de o homem engendrar hábitos para alcançar o fim a que almeja: a felicidade. Toda virtude é o resultado entre um excesso e uma falta, configurando-se como um meio termo. Da mesma maneira que a felicidade em termos gerais é perseguida por todos os homens, a felicidade da cidade só pode ser alcançada pela vivência da virtude da justiça, que é a mais excelente, pois ela tem um caráter social e não restritivo. A justiça em Aristóteles tem duas acepções: a distributiva e a reparativa, das quais essa última ainda se subdivide em comutativa e corretiva. A justiça é o elemento fundamental para uma vida política autentica, pois sua natureza é buscar o bem comum e, portanto, esse deve ser o intuito primordial daquele que governa a cidade. A partir disso, compreenderemos quais são as formas de governos retos e desviados. Não obstante trataremos da relação necessária entre o modo como o cidadão estabelece sua vida e a forma como se deve governar a cidade, visto que precisa existir uma convergência entre a justiça do cidadão e da cidade.

Conclusões:Sem a virtude da justiça é impossível existir um governo que zele pelo bem comum. Uma cidade só será justa se os cidadãos forem virtuosos, principalmente o governante, que deverá ser expressão da justiça.

Palavras-chave: Virtudes. Justiça. Aristóteles. Política. Bem comum.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador