DESENVOLVIMENTO INFANTIL: FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO DO ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL NOS 1000 DIAS

ALMEIDA, Ana Carolina de Paula1; TACLA, Thaise Lohr2;

Resumo

Introdução:O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê o acolhimento institucional como medida protetiva excepcional para crianças que encontram-se com seus direitos violados. Todavia, crianças que são submetidas a condições de acolhimento precocemente podem apresentar diversas intercorrências que podem incidir no atraso do desenvolvimento, uma vez que o abrigo nem sempre oportuniza os estímulos necessários para essa fase.

Objetivo:Investigar o desenvolvimento de crianças nos mil dias, em condições de acolhimento institucional, bem como identificar os fatores de risco e proteção.

Metodologia:Foi realizado pesquisa de campo em uma organização não governamental destinada à acolhimento de bebês entre zero e dois anos. Os instrumentos utilizados foram o Teste de Triagem Denver II e questionários de caracterização dos bebês e da instituição. O estudo foi realizado com oito crianças, entre 2 meses e 1 ano e 8 meses de vida, em condições de acolhimento.

Resultados:Os dados foram analisados quantitativamente e qualitativamente a partir da categorização dos dados obtidos. Portanto, as informações obtidas através dos questionários de caracterização dos bebês foram classificadas nas seguintes categorias: composição familiar, existência de irmãos em condições legais semelhantes, tipo de família que vivia anterior ao acolhimento, motivo do acolhimento, contato com a família, intercorrências na gestação, condições de nascimento, uso de substâncias psicoativas na gestação, alterações de ordem emocional na chegada e durante permanência na instituição. Diante disso, verificou-se que 75% dos bebês analisados apresentaram atraso no desenvolvimento da linguagem, ao passo que apenas 25% apresentou desempenho abaixo esperado para sua faixa etária na área pessoal/social. Além disso, 100% da amostra apresentam como motivo do acolhimento o uso de substancias psicoativas pela mãe. Apenas 25% conviveram com a família biológica antes da medida protetiva, enquanto que 75% foram institucionalizados logo após receber alta da maternidade, de modo que não tiveram convivência familiar. Diante disso, considerando todas as variáveis do histórico familiar, bem como das condições de gestação e nascimento dos bebês analisados, não é possível atribuir os atrasos identificados a partir do instrumento aplicado somente à condição do acolhimento.

Conclusões:Neste caso, o ambiente institucional pôde ser considerado como fator de proteção, tendo em vista que tem cumprido com a função de garantir e os superiores interesses da infância previstos pelo ECA. Contudo, o contexto institucional não é capaz de proporcionar as condições necessárias para o pleno desenvolvimento infantil, sobretudo no que se refere à linguagem.

Palavras-chave: Desenvolvimento. Acolhimento institucional. Fatores de risco. Fatores de proteção.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador