ESTUDO RETROSPECTIVO DO CONTROLE ANALGÉSICO NO PÓS-OPERATÓRIO DE CÃES UTILIZADO NA CLÍNICA VETERINÁRIA ESCOLA/PUCPR

PEREIRA, Marcos Vinícius Schaus1; CARDOSO, Nathália Gonçalves Hesketh 3; ANATER, Amanda 3; MÜLLER, Manoella Ourique 3; CAPRIGLIONE, Luiz Guilherme Achcar 3; PIMPAO, Claudia Turra2;

Resumo

Introdução:A dor é definida, pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), como “uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a uma lesão real ou potencial”. Nos animais, a sensação dolorosa possui uma grande dificuldade em ser avaliada, pois se trata de uma experiência única, individual, subjetiva e emocional que pode ter sua intensidade alterada pelo medo, memória ou estresse. A dor é considerada um estado patológico e a sua avaliação deve ser criteriosa para todos os pacientes, uma vez que se torna imprescindível seu manejo adequado, principalmente antes de procedimentos cirúrgicos em que se espera um estímulo doloroso significativo. De acordo com a escada analgésica da OMS, o tratamento da dor leve a moderada deve ser realizado com fármacos não opiáceos e fármacos adjuvantes, nos tratamentos da dor moderada deve-se fazer o uso de fármacos adjuvantes, não opiáceos e opióides fracos e em casos de dor intensa, o tratamento consiste no uso de analgésicos, anti-inflamatórios, fármacos adjuvantes e opióides fortes.

Objetivo:O objetivo do estudo foi compilar e analisar dados históricos, a fim de verificar quais foram os protocolos utilizados para o controle da dor no período pós-operatório imediato em cães e gatos submetidos a procedimentos na Clínica Veterinária Escola (CVE) da PUCPR, no período entre janeiro e dezembro de 2015.

Metodologia:Após seleção das fichas dos pacientes, foram analisados e coletados os dados sobre o protocolo analgésico utilizado em cada caso no período pós-operatório imediato de cães (n=920) e gatos (n=159), considerando tipo de procedimento e o protocolo analgésico utilizado.

Resultados:Foram analisados 1.079 procedimentos, sendo 85,3% em cães e 14,7% em felinos. Dentre estes procedimentos, o manejo da dor que foi julgada como intensidade leve, na sua maioria foi utilizado apenas opióides, não seguindo os princípios da escada analgésica da OMS. Em intensidades moderadas e intensas foram utilizados com mais frequência protocolos analgésicos multimodais.

Conclusões:Foi possível concluir que conforme a intensidade dolorosa aumenta entre a moderada e intensa, a tendência é que sejam utilizados protocolos de analgesia multimodal com o uso de associações de anti-inflamatórios, opióides, antagonistas NMDA, fármacos adjuvantes e técnicas de anestesia local com maior frequência. Quando a intensidade de dor é leve o controle foi feito, em sua maioria, com a utilização de fármacos da classe dos opióides, sem associações, mostrando que os princípios da escada analgésica da OMS, em relação ao tratamento da dor leve, não foram seguidos. O presente estudo nos revela que a mensuração e avaliação da dor, de forma correta e criteriosa, são imprescindíveis para seu adequado manejo.

Palavras-chave:Anestesia. Analgesia. Cães. Controle da dor. Gatos.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador