INCIDÊNCIA DE DIROFILARIOSE NOS CÃES ATENDIDOS NA CLÍNICA VETERINÁRIA ESCOLA DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ

SANTOS, Camila Cândida dos1; LOPES, Ana Paula Sarraff2;

Resumo

Introdução:A dirofilariose é uma zoonose emergente, conhecida popularmente como o “verme do coração”. A dirofilariose tem como vetor os mosquitos pertencentes aos gêneros Culex, Aedes ou Anopheles. O mosquito deposita microfilárias na corrente sanguínea, que se alojam e se desenvolvem no sistema respiratório podendo progredir para o coração. Considerando que temperaturas mais elevadas e a alta precipitação pluviométrica, permitem uma maturação mais rápida das larvas nos mosquitos, podemos afirmar que as regiões litorâneas são mais favoráveis, consideradas endêmicas a doença. A dirofilariose é uma doença silenciosa, cujos sinais da doença levam tempo para se manifestarem, podendo incluir tosse crônica, diminuição do apetite, perda de peso, taquipnéia, insuficiência cardíaca congestiva, ascite, esplenomegalia, hepatomegalia, edema subcutâneo, hipertensão pulmonar, tromboembolismo pulmonar e síndrome caval, podendo ser fatal nos cães. Rodeada de regiões litorâneas consideradas endêmicas, Curitiba poderia revelar uma alta incidência de cães acometidos com dirofilariose, devido o interfluxo com as regiões.

Objetivo:Obter informações com os tutores dos cães que frequentam a Clínica Veterinária Escola da Pontíficia Universidade Católica do Paraná (CVE da PUCPR), sobre seu histórico de viagens a regiões litorâneas ou a locais endêmicos para dirofilariose. Realizar exame laboratorial para detectar a presença do verme adulto nos pacientes, determinando a incidência da dirofilariose em cães atendidos na CVE da PUCPR.

Metodologia:Foram avaliados 96 cães, após uma entrevista e autorização do tutor, que frequentavam ou residiam em regiões litorâneas, e não faziam o uso do preventivo contra a doença. Foi realizado um teste rápido por imunoensaio, o qual detecta o antígeno da fêmea adulta. Para o teste era coletado 1 ml de sangue dos pacientes, e 4 gotas eram utilizadas para realização do teste rápido, cuja leitura era feita 10 minutos após.

Resultados:Os cães incluídos eram de diversas raças, sexo, idades e pesos. Dos 96 cães testados, oito apresentaram resultado positivo (8,3%), sendo os outros 88 cães (91,7%), resultado negativos. Os animais provenientes de Paranaguá foram os que mais resultaram no teste positivo. Sete dos cães positivos eram sem raça definida (SRD) e todos moravam ou já haviam morado no litoral do Paraná. Oitenta e oito cães que frequentavam ou residiam em regiões litorâneas do PR, SC, SP e RJ, apresentaram resultado negativo. Os cães positivos foram encaminhados a exames complementares. Aos cães negativos, foi orientado aos tutores um protocolo preventivo mais adequado a cada situação.

Conclusões:A doença mostrou-se pouco conhecida entre os tutores, apesar dos animais estarem predispostos à dirofilariose por conviverem em áreas com alta incidência da doença. Podemos concluir que a incidência da dirofilariose em cães atendidos na CVE da PUCPR é baixa (8,3%), mas não insignificante. É importante alertar aos tutores sobre os riscos e perigos que a doença pode causar em cães que frequentam áreas endêmicas e não fazem o uso do preventivo.

Palavras-chave:Verme do coração. Cardiologia veterinária. Hipertensão pulmonar. Zoonose

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador