AVALIAÇÃO DO TRATAMENTO DOS PACIENTES PORTADORES DE DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO-ALCOÓLICA

LESSA, Yasmin Duarte1; TAFAREL, Jean Rodrigo2;

Resumo

Introdução:Estudos epidemiológicos estimam que a Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica (DHGNA) acometa cerca de 30% da população mundial, sendo considerada a causa mais comum de doença hepática crônica. No entanto, projeta-se que sua incidência tende a aumentar concomitantemente ao aumento de doenças metabólicas associadas. A sintomatologia e análise laboratorial não possuem alta sensibilidade e especificidade para o rastreio; assim, muitos pacientes são diagnosticados em exames de ultrassonografia abdominal para acompanhamento de outras condições clínicas. O impacto do não-diagnóstico e consequente falta de tratamento é a possível evolução para cirrose, insuficiência hepática e neoplasia maligna de fígado.

Objetivo:Comparar as estratégias do manejo clínico e o risco de fibrose hepática em pacientes portadores de DHGNA.

Metodologia:Estudo observacional transversal retrospectivo em prontuários de pacientes do ambulatório do Hospital Universitário Cajuru, com acompanhamento clínico de pelo menos 1 ano após o diagnóstico ultrassonográfico de esteatose hepática e que não possuíam consumo de bebidas alcóolicas. Os pacientes foram divididos em dois grupos: portadores esteatose leve (Grupo A) e esteatose moderada/grave (Grupo B). De cada grupo coletou-se a forma de manejo clínico da DHGNA, nível de plaquetas e calculou-se os escores NAFLD Fibrosis Score, FIB-4, APRI e Lok Index.

Resultados:Analisaram-se 30 prontuários de pacientes portadores de DHGNA (26 homens; média etária de 51 anos), sendo 19 portadores de Síndrome Metabólica (63,3%). O grupo A (n=16) apresentou nível de plaquetas superior (267.938/mm3) em relação ao Grupo B (n=14; 203.785/mm3; p=0,011). O Grupo B apresentou maior pontuação nos escores de avaliação de risco de evolução para fibrose hepática avançada (p=0,019). Quanto a indicação de tratamento, 56.3% dos pacientes do Grupo A tiveram algum tratamento proposto, em comparação a 92.9% do Grupo B (p=0,039).

Conclusões:Pacientes com esteatose leve tendem a ter maior número de plaquetas e menor pontuação nos escores de fibrose avançada provavelmente devido a benignidade de seu quadro. No entanto, a esses mesmos pacientes são propostas menos formas de tratamento, o que possibilitaria a evolução de sua doença.

Palavras-chave: Esteatose hepática. DHGNA. Fibrose hepática. NFS. FIB-4.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador