PREVALÊNCIA DE CANDIDA EM USUÁRIOS DE CRACK E ETILISTAS CRÔNICOS.

BARBOSA, Maria Carolina Maciel1; NASCIMENTO, Julia Milena Carvalho 3; BONACIN, Bruna Guedes 3; SANTOS, Érica Maria dos 3; PENTEADO, Carlos Antônio Schaffer 3; CHAIBEN, Cassiano Lima 3; BATISTA, Thiago Beltrami Dias 3; ALANIS, Luciana Reis Azevedo2;

Resumo

Introdução:A Candida é o gênero responsável pela infecção fúngica mais encontrada na boca e a espécie mais relatada é a Candida albicans . Por se tratar de um organismo comensal, somente em casos específicos o fungo irá se tornar patogênico, por exemplo, quando ocorrer imunossupressão no indivíduo, o que acarretará em afecções superficiais, subcutâneas ou sistêmicas. O uso frequente do álcool induz alterações no sistema imune provocando imunossupressão subclínica, podendo causar distúrbios na relação entre hospedeiro e microrganismos comensais da flora bucal, do estômago, da pele e de outras mucosas. No sistema imune inato, o álcool modula a função de quase todos os componentes. Outras drogas de abuso, como crack, também podem levar a imunossupressão.

Objetivo:O objetivo do estudo foi avaliar a presença de fungos do gênero Candida em amostras citológicas coradas em ácido periódico-Schiff (PAS) em usuários de crack e etilistas crônicos.

Metodologia:Os participantes foram indivíduos brasileiros do sexo masculino, maiores de 18 anos, usuários de crack e de álcool, internados na Associação de Pesquisa e Tratamento de Alcoolismo (Campo Largo/PR) e não usuários de drogas, com consumo de álcool de até 99 mL de etanol por semana. Estes pacientes foram avaliados clinicamente e orientados a responder um questionário sócio-comportamental, incluindo padrão de uso do crack e outras drogas. A experiência de cárie foi avaliada pelo índice CPO-D. Também foram avaliados índices gengival, de placa e presença de cálculo dentário. O material das amostras citológicas foi coletado da mucosa jugal e do dorso de língua. As amostras foram coradas em PAS e todos os campos foram avaliados por microscopia de luz.

Resultados:O grupo de usuários de álcool foi composto por 69 homens (média de idade de 44,81 ± 9,96 anos) e o grupo de usuários de crack, por 40 homens (média de idade de 33,0 ± 9,20 anos). O grupo controle foi composto por 31 homens com média de idade de 45,94 ± 13,57 anos. Usuários de álcool apresentaram maior valor médio de CPO-D comparado a usuários de crack (p=0,002) e ao grupo controle (p=0,006). Não houve diferença estatística entre grupos para índice gengival, índice de placa e índice de cálculo supragengival (p>0,05). Não houve diferença entre grupos para presença de hifas em língua e mucosa bucal (p>0,05). A presença de leveduras em língua foi significativamente maior em usuários de álcool comparado aos controles (p<0,001) e em usuários de crack comparado com controle (p<0,001). A presença de leveduras em mucosa bucal foi significativamente maior no grupo de usuários de crack comparado ao controle (p=0,003).

Conclusões:A língua foi o sítio anatômico com maior quantidade de leveduras e hifas comparado com a mucosa jugal em usuários de crack, álcool e não usuários de drogas. Houve maior prevalência de leveduras na língua do grupo crack e álcool comparados com os controles. Também houve maior prevalência de leveduras na mucosa do grupo crack comparado com o grupo controle.

Palavras-chave:Candida. Candidíase bucal. Cocaína crack. Alcoolismo

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador