PERFIL CLÍNICO-PATOLÓGICO E PROGNÓSTICO DOS CÂNCERES EPITELIAIS DE OVÁRIOS, TROMPAS UTERINAS E PERITONIAIS PRIMÁRIOS ATENDIDOS NO HOSPITAL ERASTO GAERTNER ENTRE 2011 E 2015

CABRAL, Rodrigo Rezende Silva1; ZANELLATO, Magno Giovani 3; ROCHA, Jose Claudio Casali da2;

Resumo

Introdução:As neoplasias de ovário classificam-se originalmente em três grupos de tipos celulares: epiteliais, estromais e germinativas. Os tumores malignos epiteliais são predominantemente originários do epitélio ovariano e trompa (CEO). O CEO é a quinta causa de morte por câncer em mulheres e o segundo tumor ginecológico mais frequente nos Estados Unidos. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima para 2019, 6150 novos casos. As principais síndromes genéticas que predispõem ao CEO são a Síndrome do Câncer de Mama e/ou Ovários hereditários (HBOC, com mutações germinativas nos genes BRCA1 e BRCA2) e a síndrome de Lynch (mutações nos genes de reparo do tipo mismatch). Para compreendermos o comportamento clínico dessa neoplasia, propomos uma avaliação retrospectiva do perfil das pacientes com diagnóstico de CEO do Hospital Erasto Gaertner que apresentavam no mínimo cinco anos de seguimento e sua correlação com os desfechos clínicos.

Objetivo:Avaliar o perfil clínico-patológico e prognóstico dos CEO atendidos no Hospital Erasto Gaertner entre 2011 e 2015, e comparar os dados clínicos e os desfechos em cinco anos de seguimento da amostra com os resultados presentes na literatura.

Metodologia:O projeto desenvolveu-se através de informações dos prontuários físicos e eletrônicos (sistema Tasy) dos casos com o diagnóstico de neoplasia de ovário tratadas no HEG, totalizando 259 mulheres. Após exclusão dos casos de tumor germinativo e outros tumores não-epiteliais, totalizamos o subgrupo de CEO (n= 149). Para as análises de sobrevida, resolvemos excluir as pacientes com CEO operadas fora do HEG (n= 63) para posterior análise. Todos os dados foram coletados em ficha própria do projeto e alimentaram o banco de dados em planilha Excel, contendo dados clínicos, dados tumorais, história familial de neoplasias e dosagem de CA125 antes da cirurgia citorredutora. Os dados foram comparados e seu impacto na sobrevida foi analisado.

Resultados:A idade média ao diagnóstico do CEO foi de 56,2 anos. Embora na maioria das mulheres os CEO se apresentavam em estádios avançados (43,2% no estadios III e 34,2% em estadio IV), 76,6% das pacientes estavam em ótimo estado geral, com performances status 0 e 1. Em 63,1% das mulheres detectamos pelo menos uma comorbidade. Apenas 15,7% mulheres apresentaram história familial positiva para HBOC. Um total de 87,5% das mulheres tinham CA125 alterado. A presença de metástase à distância se correlacionou com um pior prognóstico. Embora a quimioterapia neoadjuvante seguido de cirurgia tenha sido realizada com objetivo de citorredução química em oito casos, os resultados foram inferiores comparados à cirurgia como primeiro tratamento.

Conclusões:O estudo constatou que o diagnóstico das mulheres com CEO no HEG ocorre tardiamente, fato que se relaciona com menor sobrevida. Este estudo pretende contribuir com dados para a constituição de um banco de dados de CEO. Esperamos que com o uso de novas terapias nossas pacientes possam obter maior sobrevida, maior intervalo livre de doença e melhor qualidade de vida.

Palavras-chave:Neoplasia. Epitelia. Ovário. Sobrevida. História Familial

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador