O PODER DAS IMAGENS: VISÕES DE SI E DAEDUCAÇÃO POR ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO DECURITIBA.

SANTOS, Allan Eduardo Souza1; KRUGER, Caue2;

Resumo

Introdução:A presente pesquisa se inscreve na interseção entre a antropologia visual e a antropologia da educação, valendo-se também das metodologias da etnografia e fotoetnografia. De forma geral, o que se busca é ampliar as possibilidades de representação etnográfica e antropológica, muito centradas no texto e na escrita, para incluir a imagem seja como forma de produção de conhecimento sobre o campo de pesquisa, seja mesmo como forma de interação e interlocução com os sujeitos da pesquisa.

Objetivo:O objetivo dessa pesquisa é analisar quais os principais elementos que um grupo de alunos mobiliza para apresentar suas visões de si mesmos e da escola, bem como quais suas concepções da educação e de seu ambiente sociocultural.

Metodologia:O presente projeto de caráter qualitativo, teve por base a articulação entre a pesquisa bibliográfica (que comportou duas etapas: um breve estado da arte da antropologia da educação, bem como o estado da arte da fotoetnografia e da antropologia visual), o trabalho etnográfico junto aos jovens e escolas selecionadas e a produção de imagens fotográficas e fílmicas pelos pesquisadores e também pelos pesquisados.

Resultados:A democratização da fotografia permitiu trazer a análise das representações sociais para um contexto mais próximo dos alunos e uma facilitação quanto ao entendimento do olhar que eles têm sobre seu próprio meio, dentro do aspecto escola/bairro. Os registros imagéticos potencializaram a análise identitária e contextual do ambiente e dos sujeitos analisados. Sob o recorte escolar, foi possível buscar uma visão do ambiente advinda dos próprios alunos, diferente do que seria de um agente externo. A análise do material produzido pelos próprios estudantes, com base na bibliografia utilizada, pôde trazer uma compreensão muito rica acerca do ambiente e convivência escolar. Foram registradas desde imagens dos grupos de teatro, dança, estudos, a ambiente escolar, momentos de conflito como a presença da patrulha escolar etc. Para além da interpretação das imagens e o significado que os próprios alunos e alunas trouxeram para os seus registros imagéticos, todas as fotografias demonstraram a mesma realidade do local, denunciavam interesses, desejos, críticas, medos e incertezas.

Conclusões:Os adolescentes em sua maioria, demonstraram precisar de ajuda, de orientação, de suporte. Há aqueles que encontraram o seu lugar no teatro, na dança, no grafite, e sentem-se, por isso mais amparados, no entanto são a minoria. Entender a época e por conseguinte entender a natureza dos adolescentes que chegam na instituição para desenvolver uma prática educacional que respeite a individualidade dos alunos, é um ideal em que a educação deveria caminhar. No entanto, as frustrações que foram representadas nas imagens demonstram que a instituição escolar continua a fechar os olhos para desigualdades, ingerência institucional e a realidade do educando. A pesquisa teve êxito na busca das visões de si e da educação por parte dos alunos, o exercício da fotografia possibilitou não só a pesquisa, mas também um diálogo enriquecedor, em que os alunos puderam registrar aquilo que há de mais importante e sensível no ambiente escolar.

Palavras-chave: Fotografia. Antropologia Visual. Antropologia da Educação.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador