ANÁLISE DAS COMPLICAÇÕES DE DOIS TIPOS DE DERIVAÇÕES VENTRÍCULO-PERITONEAIS USADAS NO TRATAMENTO DE HIDROCEFALIA

CARDOSO, Diogo de Souza1; MAEDA, Adriano Keijiro2;

Resumo

Introdução:A hidrocefalia caracteriza-se pelo aumento de volume do líquido cefalorraquidiano (LCR), dentro do crânio. Concomitante a isso, ocorre a dilatação do sistema ventricular, resultado de alterações na circulação, absorção ou produção do LCR. As manifestações clínicas advém da hipertensão intracraniana gerada pela hidrocefalia. Possui como principal forma de tratamento a derivação ventrículo-peritoneal (DVP), a qual possui como importante complicação as causas infecciosas. Que geram grande morbimortalidade entre os pacientes que evoluem com este tipo de complicação. Há cerca de duas décadas a indústria desenvolveu dispositivos de DVP que possuem antibiótico em seu material (cateteres impregnados com antibiótico – CIAs), como umas estratégia para aplacar as complicações infecciosas. A literatura diverge no que diz respeito ao real benefícios dos CIAs na prática diária quando comparados às derivações sem o recurso do antibiótico.

Objetivo:O objetivo dessa pesquisa é analisar as complicações infecciosas (frequência e perfil microbiano) advindas do uso de dois tipos de derivações ventrículo-peritoneais (DVPs) usadas no tratamento de hidrocefalia em um hospital pediátrico de Curitiba-PR. Com isso, comparar derivações que possuem antibiótico impregnado em seu material (os CIAs) com àquelas que não possuem antibiótico. Produzindo, desta maneira, dados que podem ser usados como uma ferramenta de utilidade clínica no atendimento aos pacientes.

Metodologia:Trata-se de um estudo observacional transversal retrospectivo. A busca e a coleta da dados se fez em um hospital pediátrico de referência em Curitiba-PR. A coleta de dados se deu através de prontuários médicos de pacientes tratados por hidrocefalia - no período de junho de 2016 a dezembro de 2018 - com algum dos dois tipos de DVP de interesse do presente trabalho. A amostra inicial contemplava 149 pacientes. A amostra final foi constituída por 141 pacientes. Os dados obtidos foram organizados em planilha do programa computacional Microsoft Excel. A análise dos dados se fez com o programa computacional IBM SPSS Statistics v.20.0. Armonk, NY: IBM Corp.

Resultados:A taxa geral de complicações infecciosas nos sistemas de DVP foi de 11,3%. Ficou demonstrado maior número de acometimento dos pacientes do gênero masculino no que se refere à complicação infecciosa da DVP. As bactérias isoladas em maior número nos exames de cultura microbiológica foram as gram-positivas. A taxa de CIAs infectados foi de 12,6% contra 9,6% das DVPs não impregnadas com antibiótico – valor de p: 0,617 (valor exato de Fisher, p<0,05).

Conclusões:O estudo, de forma geral, se alinha com o que é apresentado pela literatura especializada. Consegue expressar, até certa medida, o perfil microbiológico das infecções de DVP no tratamento da hidrocefalia. Quando compara os dois tipos de derivação, no tocante das infecções, se alinha aos estudos que demostraram não haver benefício claro no uso dos CIAs quando comparados às DVPs que não possuem antibiótico impregnado em seu material. Um modelo de estudo mais robusto, bem como expansão do período e amostra estudados, seriam necessários para confirmação e ampliação de resultados e tendências.

Palavras-chave:Hidrocefalia. Derivação ventrículo-peritoneal. Infecção.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador