A MAIOR PROVA É O PALCO: A TRAJETÓRIA DE ALUNOS UNIVERSITÁRIOS EM UMA ETNOGRAFIA DA CONSTRUÇÃO DE UM ESPETÁCULO

CRUZ, Beatriz Ramos da1; KRUGER, Caue2;

Resumo

Introdução:Em 2020 o grupo de teatro Tanahora, da PUCPR, completará 40 anos. É, portanto, um dos mais antigos grupos de teatro universitário em funcionamento contínuo de Curitiba e de fundamental importância para o teatro no Paraná. Apesar disso, há pouca divulgação, visibilidade e raríssimos estudos ou publicações sobre a trajetória do grupo e mesmo sobre seus integrantes. Partindo disso, essa pesquisa buscou realizar um levantamento histórico do acervo do Tanahora a partir da ênfase no material visual do grupo, pesquisas de caráter etnográfico e entrevistas para compreender o valor da memória, da formação da identidade, das narrativas biográficas e as buscas pela expressividade dos jovens que fizeram e fazem parte do grupo.

Objetivo:Os objetivos principais foram: perceber, através da associação da pesquisa etnográfica e da sensibilização por meio de imagens, a construção do “ser ator”, ou seja, perceber as concepções que os participantes da pesquisa carregam de si, do corpo e da atuação, a partir de sua passagem pelo grupo de teatro Tanahora. Buscou-se, além disso, a mobilização dessas percepções por meio das memórias, viabilizadas mediante as imagens das várias produções do grupo e de seus membros, e por meios de entrevistas em profundidade, realizadas com participantes e ex-participantes do Tanahora.

Metodologia:A primeira etapa ocorreu através de pesquisa quantitativa, buscando as imagens dos anos anteriores do grupo. Foram angariados cerca de 400 materiais audiovisuais conseguidos através de parcerias com ex-membros, com a PUCPR e com o Círculo de Estudos Bandeirantes. A segunda parte ocorreu através de entrevistas com o atual diretor do grupo Tanahora, Chico Nogueira, com um ex-membro do grupo, que se tornou professor do curso de Teatro da PUCPR, Cícero Lira e com um dos mais antigos integrantes do grupo na atualidade Rodney Veiga. As mobilizações pretendidas através das imagens ocorreram nas entrevistas através da elaboração de questões específicas a cada entrevistado.

Resultados:Na etapa de levantamento quantitativo foram elencados 84 participantes e ex-participantes do grupo, além de 100 imagens através do Círculo de Estudos Bandeirantes, 279 imagens e 21 vídeos fornecidas pelo curso de Teatro da PUCPR e 9 fichas técnicas obtidas através de um ex-membro do Tanahora nos anos de 1980. A segunda etapa consistiu em contínuo levantamento bibliográfico. Embora tenha sido necessário realizar alterações no projeto, o levantamento vultuoso de imagens e a realização de 3 entrevistas em profundidade para mobilizar e compreender a importância e a relação entre a memória, identidade, expressividade, juventude e carreira dos ex-participantes e participantes do grupo foram fundamentais.

Conclusões:Fazer parte do grupo de teatro Tanahora representou uma mudança nas concepções corporais, individuais e coletivas, possibilitadas pelo trabalho realizado no grupo. Os resultados permitiram perceber a importância de fazer parte de uma atividade artística coletiva, no período da juventude e da formação universitária, e o potencial de transformar essa experiência inicialmente amador em profissão, no desenrolar da trajetória individual, como apresentado pelas articulações da memória coletiva e da história de vida de cada participante.

Palavras-chave: Teatro. Juventude. Imagens. Memória.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador