ANÁLISE DE FATORES DE RISCO CARDIOVASCULAR EM UMA AMOSTRA DE MULHERES USUÁRIAS DE CHECK-UP

LEITE, Mariana Fanini1; LÍBERA, ISABELA DALLA 3; ARAÚJO, LUANA DOMINGUES DE 3; HATISUKA, MARIA CAROLINA ROMÃO 3; OLIVEIRA, VANESSA BARBOSA DE 3; TATIT, ULANA LIMA 3; BAENA, Cristina Pellegrino2;

Resumo

Introdução:As Doenças Cardiovasculares (DCV) são a maior causa de morte de mulheres no mundo. Alguns de seus fatores de risco não clássicos, como altos níveis Séricos de Ácido Úrico (SUA), são comuns à Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) – hepatopatia crônica mais prevalente no ocidente. No entanto, carece-se de dados sobre esses fatores de risco em mulheres jovens, população que tem aumentado os índices destas patologias.

Objetivo:Descrever fatores de risco cardiovascular tradicionais e não tradicionais em mulheres jovens e economicamente ativas, bem como avaliar a associação entre DHGNA e níveis séricos de ácido úrico e compará-la entre os sexos.

Metodologia:Trata-se de um estudo observacional transversal exploratório que avaliou 2660 pacientes adultos que utilizaram o serviço de check-up do Hospital Marcelino Champagnat (Curitiba, PR) nos anos de 2015 e de 2016. Como parte do protocolo, dados sociodemográficos, antropométricos e laboratoriais foram coletados. DHGNA foi diagnosticada pelo exame de ultrassonografia abdominal, pela presença de contraste entre o parênquima hepático e renal, sendo classificado como leve, moderado ou severo. Foram excluídos da análise indivíduos que faziam uso de medicamentos hipouricêmicos ou que faziam uso significante de álcool (superior a 140g por semana para homens e 70g por semana para mulheres). Foram feitas comparações de médias e proporções para determinar a presença de fatores de risco cardiovascular e compará-los entre os sexos, bem como para testar a associação do AU com DHGNA, além do impacto dos níveis de SUA no desenvolvimento de DHGNA. Através do método de Característica Operativa do Receptor (ROC), curvas foram construídas para determinar um ponto de corte nos níveis de SUA que indiquem risco aumentado no desenvolvimento de DHGNA.

Resultados:2186 sujeitos participaram da pesquisa, sendo 385 do sexo feminino. A média da circunferência abdominal e do índice de massa corporal de ambos os gêneros se encontraram elevados. Além disso, 10% das mulheres e 30,5% dos homens possuíam o diagnóstico de DHGNA, sendo que foi encontrada associação positiva entre a doença e SUA. O ponto de corte de SUA que indica maior risco de desenvolver DHGNA foi determinado, por curvas de ROC, em 4,4 mg/dl para o sexo feminino (sensibilidade 83,8% , especificidade 64,3% - p<0,001). Entre homens, o valor foi de 6,1 mg/dl (sensibilidade 64,9%, especificidade 58,5% - p<0,001). Dos pacientes com esses níveis de SUA, 38,8% apresentavam DHGNA.

Conclusões:O estudo permitiu a determinação de um ponto de corte nos níveis de SUA que indica uma maior probabilidade de desenvolvimento de DHGNA. Além disso, apontou-se que, embora jovens, as mulheres participantes possuem dados que sugerem risco cardiovascular elevado para a idade.

Palavras-chave:Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Ácido Úrico. Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica. Mulheres. Medicina Preventiva

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador