O IMPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO MONONUCLEARES E DE PROSTAGLANDINA NANOESTRUTURADA NO INFARTO DO MIOCÁRDIO COM DISFUNÇÃO VENTRICULAR EM RATOS WISTAR

TONIAL, Murilo Sgarbossa1; SOUZA, Luiz Cesar Guarita2;

Resumo

Introdução:O infarto agudo do miocárdio (IAM) é a principal causa de morte do mundo. Nele, há a interrupção crítica do fluxo sanguíneo das artérias coronárias que, se prolongada, pode culminar em morte celular. Ainda existem vários desafios na busca de terapias realmente efetivas para o IAM. Nesse cenário, torna-se crescente o interesse da medicina regenerativa e da bioengenharia tecidual por nanopartículas de prostaglandina e por células-tronco mononucleares da medula óssea (CMMO). As CMMO derivam do sangue autólogo e possuem diversos fatores de crescimento capazes de estimular síntese de colágeno, neovascularização, proliferação e diferenciação celular. A 15-desoxi12,14-prostaglandina J-2 (15D-PGJ2) é um ligante natural do PPAR-? que apresenta efeitos anti-inflamatórios, antiproliferativos e protetores celulares. O desenvolvimento de biomateriais efetivos para a terapia pós-IAM pode culminar em redução da morbimortalidade e melhora da qualidade de vida dos pacientes.

Objetivo:Realizar a avaliação funcional do efeito do transplante de células-tronco da medula óssea isoladas e associadas a nanopartículas de prostaglandina (15d-PGJ2) no miocárdio infartado com disfunção ventricular em ratos Wistar.

Metodologia:Foram utilizados 60 ratos da linhagem Wistar, com peso aproximado de 250g. Todos os animais foram submetidos a cirurgia com ligadura da artéria coronária esquerda para a indução do IAM. Uma semana depois, foi realizada a primeira análise ecocardiográfica, para avaliação da fração de ejeção e dos volumes sistólicos e diastólicos finais do ventrículo esquerdo (VE). Os animais com fração de ejeção menor que 50% foram incluídos no estudo e divididos em 4 grupos: controle (n = 8), células-tronco (n = 8), nanopartículas (n = 6) e CMMO + nanopartículas (n = 7). Os animais que não formam o grupo controle foram submetidos a uma nova cirurgia para o implante dos biomateriais em seus respectivos grupos. Trinta dias após a reoperação, os animais foram novamente submetidos ao ecocardiograma para a análise dos mesmos parâmetros base. Ambas as análises ecocardiográficas foram realizadas pelo mesmo examinador, de forma cega. A análise estatística utilizou os métodos de Ancova e Anova. Valores de p < 0,05 indicaram significância estatística.

Resultados:Na análise intergrupos do período pré-implante, os animais foram considerados homogêneos em relação aos parâmetros de fração de ejeção do VE. Após 30 dias, observou-se um aumento na fração de ejeção do VE do grupo células-tronco em relação ao grupo controle (p = 0,049), das nanopartículas em relação ao grupo controle (p = 0,009) e das nanopartículas + células-tronco em relação ao grupo controle (p = 0.005). Com relação à análise intragrupos, houve estabilização da fração de ejeção do VE do grupo controle e um acréscimo nos grupos células-tronco (p < 0,0010), nanopartículas (p = 0,007) e células-tronco + nanopartículas (p = 0,011). Nos parâmetros de volume sistólico final e volume diastólico final do VE não houve diferença estatística entre os grupos.

Conclusões:Os resultados obtidos sugerem um benefício funcional pelo aumento da fração de ejeção do ventrículo esquerdo nos grupos tratados isoladamente e em conjunto com células-tronco e nanopartículas. Não há diferença, no entanto, no remodelamento ventricular pós-infarto entre os grupos.

Palavras-chave:Infarto Agudo do Miocárdio. Células-tronco. 15D-PGJ2. PPAR-?

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador