INFLUÊNCIA DA IDADE NA OTIMIZAÇÃO MEDICAMENTOSA EM PACIENTES COM INSUFICENCIA CARDÍACA

ASTA, Luiza Dall1; SILVA, Miguel Morita Fernandes da2;

Resumo

Introdução:Em pacientes com insuficiência cardíaca (IC) e fração de ejeção reduzida, o tratamento medicamentoso otimizado – isto é, nas doses-alvo – é recomendado pelas diretrizes por seu impacto na mortalidade. No entanto, há poucos dados ao uso e fatores associados ao tratamento medicamento otimizado para IC no Brasil.

Objetivo:Avaliar a associação entre idade e tratamento clínico medicamentoso conforme as diretrizes (GDMT) em pacientes com IC acompanhados no ambulatório de IC do Hospital Santa Casa de Misericórdia.

Metodologia:Avaliamos pacientes com IC e fração de ejeção <50% atendidos na Santa Casa de Curitiba-PR entre 05/2018 a 02/2019. GDMT foi definido por uso de um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor da angiotensina (BRA) ou inibidor da neprilisina e receptor da angiotensina (INRA), associado a um beta-bloqueador (carvedilol, succinato de metoprolol ou bisoprolol) e espironolactona, se sintomático, nas doses-alvo conforme as diretrizes brasileiras de IC. Realizamos uma análise de regressão logística multivariada incluindo características clínicas, tempo de acompanhamento no centro de referência e tempo desde o diagnóstico de IC para identificar os fatores independentemente associados a GDMT.

Resultados:374 pacientes foram analisados, com uma mediana de 3,4 anos desde o diagnóstico de IC. Destes, 47% estavam nas doses-alvo de IECA, BRA ou INRA, 56% de beta-bloqueadores, 77% de espironolactona, e 24% (n=91) estavam plenamente otimizados conforme as diretrizes (GDMT). Comparado com os “não otimizados”, os pacientes em GDMT eram mais jovens (63±12 vs 57±13, p<0.001 ), apresentavam um escore MAGGIC mais baixo (19±7 vs 16±7, p=0,001) e eram acompanhados a mais tempo no centro de referência (mediana 1,4 vs 2,2 anos, p=0.023). Na análise de regressão multivariada, a idade [OR 0,96 IC 95% (0,92-0,99)] e o acompanhamento no centro de referência há mais de 6 meses [OR 0,37 IC 95% (0,17-0,80)] foram os únicos fatores independentemente associados a otimização terapêutica.

Conclusões:Em pacientes com IC, o tratamento medicamentoso otimizado foi pouco frequente, e os fatores independentemente associados a otimização terapêutica foram a idade mais jovem e o maior tempo de seguimento em um centro de referência especializado em IC do SUS.

Palavras-chave:Insuficiência Cardíaca. Otimização. Adesão à Medicação

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador