VARIÁVEIS ASSOCIADAS À MORTALIDADE MATERNO-INFANTIL: REVISÃO INTEGRATIVA

MARTINS, Ingra Pereira Monti1; CARVALHO, Deborah Ribeiro2;

Resumo

Introdução:No Brasil, em 2017, a cada 100.00 crianças nascidas, 64,5 mulheres morreram em decorrência da gestação e de cada 1.000 crianças, 13,4 não chegaram a completar um ano de vida. As mortalidades materno e infantil refletem a qualidade dos serviços prestados à população, a situação sanitária local e o funcionamento do sistema de saúde. Seus indicadores - Razão de Mortalidade Materna (RMM) e Taxa de Mortalidade Infantil (TMI) – permitem a comparação entre regiões, identificando desigualdades sociais, podendo servir de orientação para planejamento e intervenção.

Objetivo:Identificar as variáveis associadas às mortalidades materno e infantil.

Metodologia:Revisão integrativa, adaptada do método PRISMA (Moher et al., 2009), com buscas realizadas nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciência da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MedLine) e Banco de Dados em Enfermagem (BDENF). Os critérios de busca utilizados foram: somente artigos, publicados entre 1999 e 2018, realizados no Brasil e idioma português. A seleção dos artigos para leitura na íntegra foi realizada por dois pesquisadores independentes, com sucessivas calibrações até atingir um nível de concordância substancial, calculado por Kappa. Dos artigos incluídos, foram extraídas características, dentre elas as variáveis com associação significativa às mortalidades. Essas variáveis foram aproximadas das camadas do modelo dos Determinantes Sociais de Saúde (DSS) proposto por Dahlgren e Whitehead (1991).

Resultados:Foram identificados 522 artigos e, após obtenção de Kappa = 0,793, foram selecionados 74. A mortalidade infantil foi o problema de pesquisa predominante, estando presente em 69 estudos. Cidades e regiões do estado de São Paulo foram os locais onde mais se realizaram estudos. As fontes de dados mais utilizadas foram SIM e SINASC, seguidas de questionários. A camada dos determinantes intermediários associou-se mais às mortalidades e reuniu maior número de variáveis, seguida pela dos individuais. A camada dos Determinantes comportamentais foi a que envolveu menos resultados.

Conclusões:A despeito dos piores resultados de RMM e TMI estarem nas regiões Norte e Nordeste, a realização dos estudos concentram-se nas regiões com os melhores indicadores – Sul e Sudeste. A camada individual é influenciada pelas mais externas, portanto, mudanças na camada intermediária podem acarretar melhoras na mortalidade. Ações voltadas às camadas mais externas são quase que de exclusiva responsabilidade dos gestores, cabendo aos mesmos instituir intervenções transversais à todas as camadas, com o objetivo de diminuir as iniquidades em saúde.

Palavras-chave:Mortalidade infantil. Mortalidade materna. Determinantes Sociais de Saúde

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador