IMPLANTAÇÃO DE UM BANCO DE SALIVA DE PACIENTES COM FISSURAS LABIOPALATINAS NÃO SINDRÔMICAS

RIBEIRO, Camila Farah1; RASKIN, Salmo2;

Resumo

Introdução:Fissuras orofaciais são malformações que ocorrem na região da face devido a alterações de processos de desenvolvimento craniofaciais normais. As fissuras labiopalatais não sindrômicas - FL/P NS se diferenciam das fissuras sindrômicas por não apresentarem outra malformação ou alteração comportamental e cognitiva associada ao paciente. A primeira, objeto deste estudo, apesar da grande incidência e relevância clínica, ainda não tem causa conhecida, enquanto a segunda possui etiologia já determinada. É evidente a necessidade de maiores estudos com populações grandes e específicas. Para tal o uso de saliva humana se mostra hoje como o método mais prático de obtenção de material biológico, oferecendo dados como: componentes proteicos e não proteicos, hormônios, imunoglobulinas e variedade da microbiota oral de acordo com o ciclo circadiano.

Objetivo:Criar um banco de saliva de pacientes com fissuras labiopalatinas não sindrômicas que servirá para futuras investigações a respeito da etiologia desta malformação.

Metodologia:Critérios de inclusão: Pacientes atendidos no CAIF, residentes em Curitiba e Região Metropolitana, portadores de fissura labiopalatina não sindrômica - FL/P NS, ou seja, aqueles que não apresentam outra malformação ou alteração comportamental e cognitiva associada – caso das fissuras sindrômicas. Critério de exclusão: Portadores de fenda labiopalatinas sindrômicas e pacientes multiplex – caso de parente de primeiro ou segundo grau portador da mesma malformação. Pacientes com FL/P NS com qualquer morbidade além da presença da fissura também foram excluídos, pelo fato de poder se tratar de síndromes ainda não descritas. Alterações que justificaram a exclusão dos pacientes atendidos foram: disfunções cognitivas, síndrome de Pierre Robin, síndrome velocardiofacial, albinismo oculocutâneo/ agenesia de dentes, clinodactilia bilateral, neurofibromatose/ neurofibroma plexiforme, hipoplasia malar, pregas palmares únicas, sequência de holoprosencefalia, miopia/ astigmatismo, dismorfismos faciais e microencefalia. Foram excluídos também pacientes sem residência atual na cidade de Curitiba e Região Metropolitana de Curitiba. Após a seleção de pacientes o resultante foi uma amostra de 22 indivíduos.

Resultados:Com relação ao tipo de fissura, a mais prevalente foi a FLP (Fissura Labiopalatina) contabilizando 13 (59%) dos casos, sendo que 8 (36,3%) foram FLP unilateral completa e 5 (22,7%) do tipo FLP bilateral completa. A FL (Fissura Labial) foi diagnosticada em 3 (13%) pacientes enquanto apenas 4 (18,1%) apresentaram FP (Fissura Palatina). Dentre as FLs a classificação foi de 1 (4,5%) paciente com FL unilateral completa e 3 (13%) com FL bilateral. Sendo que a FL bilateral apresentou duas formas: 1 (4,5%) FL bilateral completa e 1 (4,5%) FL bilateral completa. Nas FPs foram classificados 3 (75%) pacientes com Fissura Palatina Pós-forame Incompleta e 1 (25%) com fissura palatina pós-forame completa (Tabela 1)

Conclusões:O trabalho de coleta de saliva, resultados epidemiológicos e a relevância clínica desse estudo devem incentivar o seguimento de outras pesquisas no campo. Maiores amostras biológicas e análises multifatoriais devem ser intencionadas sempre, uma vez que se trata de uma doença de etiologia complexa que possivelmente vincula polimorfismos gênicos somados à ação de fatores ambientais.

Palavras-chave:BANCO DE SALIVA. FISSURAS LABIOPALATINAS NÃO SINDRÔMICAS

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador