SOBRE A COMPOSIÇÃO DO CORPO EM EDITH STEIN

SILVA, Jonas da1; VALLE, Bortolo2;

Resumo

Introdução:O ser da pessoa é um dos grandes temas da filosofia. A filosofia não negligenciou esse tema. Ao longo da história variadas abordagens buscaram responder à questão: o que é o homem. Na modernidade, a partir de Descartes originou-se uma concepção de matriz dualista que reduziu o homem a um corpo e uma alma. Esse modo cartesiano de compreensão mostrou-se insuficiente para dar conta da complexidade do homem e, no início do século XX a fenomenologia proporcionou uma nova referência para o tratamento da questão. Edith Stein, inserida nessa nova abordagem, inova ao redesenhar a ontologia que suporta o ethos humano. A filósofa compreende o ser formado por uma tríplice realidade; corpo, alma e espírito. Assim. Stein inova na elaboração de uma perspectiva antropológica, oriunda da fenomenologia de E. Husserl.

Objetivo:Analisar a estrutura da composição do corpo de acordo com a proposta fenomenológica de Edith Stein.

Metodologia:O procedimento adotado na pesquisa priorizou o enfoque fenomenológico que busca um retorno “as coisas mesmas”. Assim, buscou-se, a partir da leitura dos textos da filósofa, uma análise que estivesse situada para além das metodologias positivistas e idealistas que caracterizam a antropologia pré-fenomenológica.

Resultados:Edith Stein considera o homem constituído por uma tríplice dimensão e recusa o dualismo moderno. O homem, assim, não é constituído simplesmente por corpo e alma, mas pelo corpo (soma), pela alma (psique) e pelo espírito (pneuma). O corpo enquanto Körper caracteriza a constituição física, material do soma; assim, como objeto que possui massa o corpo ocupa lugar no espaço. Este, sem a pneuma (Leib) seria como um objeto qualquer. É a Leib que dá vida ao corpo do ser. Logo, o homem é corpo e alma e essa união engendra sua dimensão espiritual. É a psique que dá o equilíbrio entre o corpo e o espirito. Essa tríplice constituição constitui o ethos do ser humano

Conclusões:Onde existe um corpo animado, existe também uma alma. Reciprocamente, onde existe uma alma, existe também um corpo animado. Um objeto físico sem alma é apenas uma massa corpórea e não um corpo animado vivo. O corpo físico (Körper) apresenta-se como um objeto entre outros objetos, ocupando lugar no espaço. O corpo vivo (Leib) caracteriza-se pelo corpo orgânico interpenetrado por um “eu”, consciente de si, como expresso pela autora: “Sentindo-o eu o percebo como nenhuma outra coisa me pertence e, portanto, este corpo deixa de ser um objeto entre os outros, para ser o meu corpo, fechado em si mesmo e indivisível”. O corpo próprio envolve todos os aspectos do eu psicofísico, visto que se encontra animado pela força vital infundida na dimensão física. O termo Leib é reservado por Edith Stein, para tratar do ser vivo racional – ser capaz de tomar consciência de sua própria corporeidade por meio de reiterados processos perceptivos e reflexivos, atividade espiritual

Palavras-chave:Corpo. Alma. Espírito. Antropologia. Fenomenologia

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador