ASSOCIAÇÃO ENTRE ÁCIDO ÚRICO SÉRICO E ESPESSURA DA CAMADA MÉDIA-INTIMAL EM UMA POPULAÇÃO ADULTA AVALIADA EM CHECK-UP MÉDICO

HAAGSMA, Ariele Barreto1; BAENA, Cristina Pellegrino2;

Resumo

Introdução:As avaliações médicas periódicas colocadas em prática na medicina preventiva visam a identificação de doenças crônicas não transmissíveis na população. A doença aterosclerótica cardiovascular lidera como principal causa de morte mundial e é caracterizada pelo acúmulo de gordura e lesões ateroscleróticas como placas e ateromas na camada íntima dos vasos e tem um período de longa latência e por isso o interesse em exames que possam prever o aparecimento de placas ateroscleróticas em indivíduos. Entretanto, a associação da doença subclínica com fatores de risco não-convencionais, como o ácido úrico (AU), é menos elucidada.

Objetivo:Testar a associação entre concentração de ácido úrico (AU) sérico e espessamento da camada íntima-média carotídea (EIMC) em uma amostra de pacientes do serviço de medicina preventiva do Hospital Marcelino Champagnat.

Metodologia:A pesquisa consiste em um estudo observacional transversal, na qual foram avaliados 2.659 indivíduos. Destes foram excluídos aqueles sem os exames necessários, com doença aterosclerótica prévia , em uso de medicamento hipouricêmico, resultando em 498 indivíduos analisados. Foram coletados dados sociodemográficos, antropométricos e laboratoriais. A presença de aterosclerose subclínica foi definida EIMC pelo exame de Doppler colorido de vasos arteriais cervicais bilateral. Já para o diagnóstico de hiperuricemia, foram considerados níveis séricos de AU = 6.0 mg/dL em mulheres e = 7.0 mg/dL em homens. Foram construídos modelos multilineares para testar o efeito de AU na EIMC e subsequentes ajustes realizados para testar a independência do efeito, por sexo. A análise dos dados foi realizada através do Statistical Package for the Social Science (SPSS), e o valor e 5% foi utilizado para denotar significância estatística.

Resultados:Dos 498 indivíduos estudados, 23% eram mulheres (44 anos ± 9,8) e 77% homens (48 anos ± 9,7). A média de circunferência abdominal em mulheres e homens foi de 87cm ± 11,31 e 98cm ± 10,59 ; a média do Índice de Massa Corporal de mulheres e homens foi de 27 ± 4,21 e 24 ± 3,87 kg/m2. A média do ácido úrico entre mulheres e homens foi de 4,29mg/dL ± 1,07 e 6,18mg/dL ± 1,15 sendo que 21,1% destes apresentaram hiperuricemia. Em relação a média EIMC, o valor médio entre as mulheres foi de 0,57mm ± 0,14 e entre os homens foi de 0,63mm ± 0,16. As mulheres com hiperuricemia apresentaram médias de EIMC 1,5 vezes maiores do que as mulheres com níveis séricos de AU normais (p<0,001). Nos modelos lineares, foi encontrada uma interação significativa e positiva entre idade e AU no espessamento da EIMC [ß (95%)] somente na população feminina de 0,003 (0.002;0.005) mm independente do fatores de risco clássicos

Conclusões:Nas mulheres, os níveis séricos de AU interagem de forma positiva e significativa com a idade no espessamento da EIMC de forma independente de outros fatores de risco clássicos, mesmo em níveis considerados normais.

Palavras-chave:Medicina preventiva. Fatores de risco. Aterosclerose. Ácido úrico. Artérias Carótidas.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador