A EXPRESSÃO MULTIMODAL DA REPRESENTAÇÃO IDENTITÁRIA INDÍGENA NA OBRA A PALAVRA DO GRANDE CHEFE

HAUTH, Raquel Elionara Rodrigues1; THIEL, Janice Cristine2;

Resumo

Introdução:Esta pesquisa trata da análise da obra A Palavra do Grande Chefe, uma tradução e adaptação realizada por Mauricio Negro e Daniel Munduruku de um discurso proferido pelo líder indígena Chefe Seattle, ou Sealth. O discurso original de Sealth ocorreu em uma reunião entre colonizadores e indígenas, em 1854, para tratar da realocação das tribos Suquamish e Duwamish, das quais Seattle era líder. As palavras se consolidaram na cultura popular, em um apelo pela proteção da terra e do meio ambiente, sagrado para as culturas indígenas. O discurso ficou conhecido através de traduções de diversos autores, em sua maioria não indígenas, que realizaram diversas inferências no texto original. Negro e Munduruku traduzem e adaptam a obra do Chefe Seattle para um contexto brasileiro, utilizando elementos das culturas nativas da região noroeste dos Estados Unidos.

Objetivo:O objetivo geral da pesquisa é analisar a obra, observando a multimodalidade presente através dos elementos pictóricos, gráficos e da tradição escrita. Os objetivos específicos são correlacionar a obra ao contexto dos nativos brasileiros, investigar a relação da obra traduzida com o discurso original de Chefe Seattle, comparar aspectos das traduções do discurso original e suas influências na tradução de Negro e Munduruku e identificar os elementos gráficos e pictográficos e sua relação com o conteúdo textual.

Metodologia:Para atingir o objetivo, foram analisados teóricos das áreas de estudos indígenas, indigenistas e de análise literária de acordo com a crítica pós-colonial, sendo realizada a articulação das leituras dos textos de fundamentação teórica com a análise do texto literário.

Resultados:Os resultados demonstram que a versão do discurso traduzida por Negro e Munduruku retoma a identidade indígena perdida nas traduções anteriores. Essa retomada é realizada linguisticamente e semioticamente, o que demonstra a multimodalidade e diversidade do texto. A identidade linguística é trazida através da utilização de termos em Lushootseed, língua nativa do Chefe Seattle, e através da criação de um narrador indígena que demonstra ter conhecimentos das culturas Suquamish e Duwamish. Semioticamente foram utilizados padrões de figuras, imagens e máscaras típicas das tribos, e através das ilustrações são contados crenças, valores e características identitárias que compõe uma representação da identidade indígena do chefe Seattle e também da identidade das tribos que ele liderava.

Conclusões:Conclui-se que a obra é excepcional e única no contexto da literatura indígena, sendo relevante e necessária para a compreensão da expressão identitária nativa na contemporaneidade, que se dá através da utilização de elementos multimodais, semióticos e textuais.

Palavras-chave: Literatura. Indígena. Chefe Seattle. Daniel Munduruku. Multimodalidade.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador