INFECÇÕES PÓS-CIRÚRGICAS EM CÃES E GATOS DA CLÍNICA VETERINÁRIA DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DO OESTE DO PARANÁ

STEIN, Jessica Andreia1; ERDMANN, Renato Herdina2;

Resumo

Introdução:A infecção hospitalar (IH) ou nosocomial é adquirida pelos pacientes durante o período de hospitalização e se caracteriza por complicações infecciosas de doenças preexistentes ou oriundas do processo cirúrgico. A infecção do sítio cirúrgico (ISC) representa extrema relevância frente às complicações pós-cirúrgicas, sendo, portanto, identificada como um processo infeccioso correlacionado à multiplicação de microrganismos patógenos no local da incisão. A ocorrência de IH também se faz presente na rotina dos hospitais veterinários, está associada a múltiplos fatores, e gera implicações significativas na vida dos pacientes.

Objetivo:Realizar o monitoramento da ocorrência de infecções pós-cirúrgicas realizados em cães e gatos na Clínica Veterinária da PUCPR, campus Toledo, no período de um ano, a fim de identificar a existência de infecções pós-cirúrgicas, o reconhecimento do perfil das afecções, a prevalência de germes e a resistência bacteriana frente aos antibióticos.

Metodologia:A elaboração do ensaio ocorreu a partir de buscas ativas e estudo epidemiológico no prontuário de animais submetidos à procedimentos cirúrgicos no período de 01 de junho de 2018 à 31 de maio de 2019. Os critérios avaliados corresponderam ao tempo cirúrgico, número de circulantes durante o procedimento, classificação da ferida cirúrgica, microrganismos identificados e antibioticoterapia instituída. A identificação das infecções ocorreu por meio da presença de secreções no local da incisão que foram computadas em três grupos: a) Sem alterações, b) Suspeitos e c) Infecção.

Resultados:Foram avaliados 327 animais, sendo 271 cães e 56 gatos, com idade entre 3 meses a 15 anos, nos quais contemplaram o total de 383 procedimentos. A taxa de Infecção identificada foi de 5,48% (21casos /383 procedimentos) distribuídos nos procedimentos limpos, limpos-contaminados e contaminados que tiveram a proporção de 4,44%, 0,78% e 0,26% respectivamente. As intervenções cirúrgicas revelaram somente a ocorrência de ISC superficial e profunda, sem a ocorrência de ISC de órgão ou cavidade. Animais considerados suspeitos revelaram uma taxa de 2,35% e os que se apresentaram sem alterações foram 90%. O índice de infecção em menor tempo cirúrgico correspondeu a 5,22% e 0,26% em tempo maior. As culturas microbiológicas revelaram a presença de Klebsiella ozaenae, Staphylcocccus sp., Escherichia coli, Shigella sp. e Pseudomonas sp. Como principais germes resistentes à antimicrobianos. Os procedimentos de rotina corresponderam a 61,9% dos casos de infecção enquanto os didáticos evidenciaram 38%.

Conclusões:Foi possível identificar a ocorrência de IH cujo percentual apresentou-se relativo ao encontrado na literatura. O tempo cirúrgico, o número de circulantes e o perfil das feridas cirúrgicas não influenciaram na ocorrência de IH neste estudo, porém, a concomitância desses fatores aliados a resposta do paciente e aos cuidados pós cirúrgicos podem ter sido relevantes para o desenvolvimento da afecção.

Palavras-chave:Infecção hospitalar. Procedimentos cirúrgicos. Cães. Gatos. Resistência bacteriana.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador