AVALIAÇÃO DA GLICEMIA EM CÃES SUBMETIDOS AO TRATAMENTO PERIODONTAL

DAMACENO, Jacqueline Ponte1; FILHO, Jair Rodini Engracia2;

Resumo

Introdução:A doença periodontal (DP) é a afecção mais comum da cavidade oral de cães. Dentre os fatores predisponentes a esta doença, destaca-se raça, idade, dieta, mastigação e a saúde do animal. O acúmulo de placa bacteriana na superfície dos dentes é o fator primordial para a causa desse problema. Nos seres humanos, estudos demonstraram relação entre a DP e doenças sistêmicas, incluindo a diabetes mellitus (DM). Acredita-se que a liberação de mediadores inflamatórios induzam à resistência insulínica. Em cães as pesquisas são escassas sobre o tema, poucos estudos avaliaram as consequências sistêmicas da doença periodontal, especialmente os índices glicêmicos.

Objetivo:O objetivo deste trabalho foi dosar a glicemia antes e após o tratamento periodontal de cães adultos com diferentes graus de doença periodontal para avaliar o efeito do tratamento periodontal sobre a glicemia desses animais.

Metodologia:Foram selecionados cães com doença periodontal em estágios 1, 2, 3 e 4 e que não apresentaram comorbidades, atendidos no Hospital Veterinário Clinivet, localizado em Curitiba –PR. As mensurações de glicemia foram feitas por glicosímetro digital (ACCU-CHEK Performa, Roche), após a coleta de sangue periférico do paciente em jejum alimentar mínimo de 8 horas. Durante o procedimento a DP foi classificada em graus 1, 2, 3 ou 4 segundo os critérios da American Veterinary Dental College. Após a classificação, o tratamento periodontal foi realizado de acordo com as alterações encontradas em cada dente, sendo que as técnicas cirúrgicas incluíram: curetagem supra e subgengival, aplainamento radicular, gengivoplastia, gengivectomia, extração dentária, flap periodontal e polimento.Os resultados obtidos foram expressos por médias e medianas, valores mínimos, valores máximos, diferença aritmética e desvios.

Resultados:Não houve diferença significativa antes e após o tratamento periodontal de todos os animais, como em cada grupo (DP1, DP2, DP3, DP4), adotando nível de significância de 5% (p = 0,05). A idade média dos 39 animais avaliados foi de 6,6 anos e as raças de pequeno porte prevaleceram. As raças predominantes foram a SRD com 25,6% (n=10), Poodle e Yorkshire Terrier com 15,4% (n=6), Lhasa Apso e Maltês com 10,3% (n=4) e outras com 23,1% (n=9). A gengivite esteve presente em 97,43% dos animais.

Conclusões:Com o presente estudo concluiu-se que o tratamento periodontal não interferiu na glicemia de cães saudáveis. Sugere-se estudos que avaliem os índices glicêmicos e os mediadores inflamatórios, com o intuito de saber se essa mesma condição que ocorre me humanos, possa acontecer em cães. Adicionalmente, é válido estudos que avaliem a glicemia antes e após o tratamento periodontal em pacientes diabéticos.

Palavras-chave:Periodontia. Hiperglicemia. Espécie canina. Inflamação. Infecção oral.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador