AVALIAÇÃO DA UREMIA E HIPÓXIA NA ADESÃO DE ERITRÓCITOS EM CÉLULAS ENDOTELIAIS

ANDRADE, Gabriela Bohnen1; MORENO-AMARAL, Andréa Novais 3; DIAS, Gabriela Ferreira2;

Resumo

Introdução:A doença renal crônica (DRC) está associada com a anemia, que é uma complicação causada pela deficiência na produção de eritropoietina e que pode ser agravada pela morte celular de eritrócitos, chamada de eriptose. Com a consequente redução de hemoglobina e a diminuição do transporte de oxigênio, os pacientes em hemodiálise (HD) podem apresentar hipóxia anêmica, além da hipoxemia intradialítica provocada pela HD. Outra complicação existente na DRC é a disfunção endotelial, que está relacionada a doenças cardiovasculares nessa população.

Objetivo:O objetivo desse projeto é avaliar a interação de células endoteliais e eritrócitos quando submetidos a condições de hipóxia e uremia.

Metodologia:Foi coletado sangue de indivíduos saudáveis (n=14) e de pacientes pré e pós hemodiálise (n=18). Os eritrócitos foram imediatamente marcados com Anexina-V-PE e Fluo-3/AM, para avaliar a exposição de fosfatidilserina (FS) e entrada de cálcio intracelular, respectivamente, ambas características da eriptose. Para a avaliação do estresse oxidativo, as células foram marcadas com DCFH-DA e Thiol Tracker, para produção de ROS e dosagem de glutationa, respectivamente. As células endoteliais da veia umbilical humana (HUVEC) foram cultivadas em meio DMEM, suplementadas a 10% de soro fetal bovino. Para os experimentos, as HUVEC foram incubadas com soro saudável ou de pacientes em hemodiálise (S-HD), em normóxia (21% O2) ou hipóxia (5% O2). Após a incubação, as células endoteliais foram marcadas com Anexina-V-PE (para apoptose) e DCFH-DA. Todas as análises foram realizadas por citometria de fluxo. Os dados foram analisados através do software SPSS 20.

Resultados:Os eritrócitos de pacientes em HD apresentaram maior exposição da FS e maior influxo de cálcio se comparados com os indivíduos saudáveis. Ocorreu também aumento na produção de ROS e a diminuição do antioxidante glutationa em eritrócitos urêmicos quando comparados com o controle. Além disso, foi observado um aumento significativo da eriptose e da produção de ROS em pacientes pós/HD se comparado com os pré/HD. Em relação as HUVEC, foi observado que o S-HD estimulou a exposição de FS nas duas condições de oxigênio se comparado com os controles. Além disso, nas células incubadas com soro saudável, a hipóxia gerou maior produção de ROS se comparada com as células em normóxia.

Conclusões:Concluímos que doentes renais crônicos possuem aumento na eriptose e estresse oxidativo e que a hemodiálise é capaz de agravar esses fenômenos. Juntos, esses fatores podem diminuir a sobrevida dos eritrócitos e acelerar a anemia renal. No contexto da disfunção endotelial, a hipóxia mostrou ser um potente agente oxidante, ao aumentar a produção de ROS em HUVEC. A uremia foi responsável por agravar a morte das células endoteliais tanto em normóxia, como em hipóxia. Essa disfunção endotelial exacerbada pode contribuir para eventos cardiovasculares, principal motivo de morte na população renal crônica.

Palavras-chave:Doença Renal Crônica. Anemia. Estresse Oxidativo. Disfunção Endotelial. Hipoxemia

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador