UTILIZAÇÃO DO PROTOCOLO SHELTER QUALITY® PARA AVALIAR O BEM-ESTAR DE CINCO ABRIGOS DA CIDADE DE CURITIBA E REGIÃO METROPOLITANA

SANTOS, Camila Jardim dos1; ANATER, Amanda 3; BORGES, Tâmara Duarte 3; GALEB, Luciana do Amaral Gurgel 3; PIMPAO, Claudia Turra2;

Resumo

Introdução:O manejo populacional de cães é realizado priorizando-se aspectos humanitários. Dentro deste contexto, o incentivo da guarda responsável, castração animal e parcerias com abrigos são as atuais estratégias adotadas. Abrigos de cães, muitas vezes, devido à alta densidade animal, falta de recursos financeiros e de mão de obra inferem aos animais condições de baixo grau de bem-estar.

Objetivo:Desta forma, o presente trabalho visa diagnosticar o bem-estar de cães de abrigo utilizando como ferramenta o protocolo europeu Shelter Quality®.

Metodologia:Foram visitados nove abrigos de cães na cidade de Curitiba e região metropolitana que voluntariamente ingressaram na pesquisa. O protocolo Shelter Quality® possui indicadores divididos em quatro princípios e doze critérios principais de avaliação. Para cada um destes critérios há indicadores específicos e os registros podem ser baseados em dados de gestão do abrigo, em recursos do ambiente (instalações) e também com foco nos comportamentos e condições de saúde dos animais.

Resultados:A média de animais alojados nos abrigos foi de 66,27 (±27,63), com variação de 112 para o abrigo com maior número de cães e de 21 para o menor. Os cães em sua maioria recebem ração tipo pellet seco (100%) e as frequências de refeições variam entre uma vez ao dia (44,44%), duas vezes ao dia (33,33%) e ad libitum (22,22%). A água está disponível em 98,50% dos recintos e em sua maioria tinham aspecto de limpeza (89,55%). O alojamento é realizado em recintos com menos de 5 animais (32,30%) e há uma separação de animais por porte, sendo que 36,56% são recintos exclusivos de animais com mais de 20Kg e 41,79% alojam cães com menos de 20Kg. Porém, ainda se nota uma porção de 20,89% em que a mistura de diferentes portes de animais é feita. Os cães são mantidos em recintos totalmente internos (41,04%) ou totalmente externos (41,33%), sendo a casinha a única forma de abrigo. Em 8,95% dos casos as camas foram consideradas como inadequadas (não havia camas individuais para os animais, presença de arestas, presença de umidade e fezes). Na avaliação geral do recinto, nota-se que 78,51% possuíam em seu interior algum tipo de material que poderia machucar os animais. Não foi encontrado nenhum animal com comportamento de ofegação, amontoamento ou estereotipia. Todos estavam limpos, sem tosse, sem presença de inchaço em qualquer parte do corpo e não apresentaram ectoparasitas a olho nu. A maioria encontrava-se em escore corporal adequado (99,23%), e não tinham sinais de claudicação (98,46%). Para o teste de medo 15,39% dos animais esquivaram-se ou esconderam-se perante a presença humana.

Conclusões:O protocolo Shelter Quality® se mostrou ser uma ferramenta eficaz de diagnóstico de bem-estar de cães de abrigo, com indicadores assertivos que destacaram os principais pontos críticos de cada local avaliado.

Palavras-chave:Abrigos de cães. Comportamento animal. Diagnóstico de bem-estar animal. Manejo populacional.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador