A DESCONSTRUÇÃO DO MAL

FREITAS, Mariana Lira de1; SALDANHA, Eduardo2;

Resumo

Introdução:As constantes remodelações, adaptações e desenvolvimentos do conceito do mal fazem com que ele se apresente ao mundo sob diferentes roupagens, mas, independentemente daquela que está sendo utilizada em determinado momento histórico, ele é sempre reconhecido pela humanidade. Inicialmente, o mal era visto como mera emanação do poder de uma força superior, capaz de controlar tudo o que existia no mundo palpável com a finalidade que acreditava-se ser a manutenção do bem comum. No entanto, fez-se cada vez mais evidente que o mal existe também alheio a este conceito transcendente, sendo uma peculiaridade humana deste os recônditos de seu desenvolvimento em formações sociais embasadas em múltiplas esferas de dependência, onde, desde o princípio, o homem buscava uma efetiva proteção contra o meio desconhecido e terrificante. Atingindo a referida proteção do mal exterior e de tudo aquilo que colocava em xeque sua existência, o homem começou a internalizá-lo dentro de sua própria cadeia social, fazendo com que seu maior inimigo não fosse o meio, mas sim ele mesmo.

Objetivo:Neste quesito, nasce a diferenciação tão utilizada em todos os campos do conhecimento metafísico e empírico de mal natural e mal moral, bem como sua relação irrefutável com a concepção jurídica de crime, concebida neste estudo como mal social. Compreende-se assim que, tendo diversas conceituações, o mal não pode ser banalizado ou visto somente como um conceito teórico imutável, e por isso, o estudo apresentado em Desconstrução do Mal busca não somente demonstrar todas as divergências existentes entre a conceituação do mal e sua verdadeira forma, mas também elucidar seu funcionamento como um desestabilizador da imagem que o ser humano tem tanto de si mesmo quanto do meio.

Metodologia:Para a realização deste estudo foi utilizado o método de revisão da literatura tanto filosófica quanto doutrinária a respeito do tema, permitindo uma fundamentação estruturada e a estabilização de uma argumentação completamente embasada em teorizações e pensamentos já existentes. Após a finalização do estudo da literatura, foi introduzido o método hipotético-dedutivo, a fim de se encontrar uma resposta para os questionamentos-base da pesquisa, permitindo, assim, a determinação de uma relação inegável entre as conceituações paradigmáticas, etimológicas e sociais a respeito do mal.

Resultados:Concluiu-se,assim, que o estudo do mal precisa ser feito sob diversos prismas, uma vez que a observação meramente anacrônica e superficial não permite a obtenção de resultados concretos sobre o tema, que deram-se na percepção de que o mal não existe em uma só forma, podendo ser natural, moral e até mesmo social, conceito criado primitivamente neste estudo.

Conclusões:Concebeu-se, dessa forma, que o mal transpassa todos os limites de conhecimento, diferentemente da maior parte dos outros conceitos abstratos que rodeiam a humanidade, justamente por não se saber exatamente de onde ele é derivado e a quem deveria ser atribuída sua responsabilização, e por isso estes dois critérios marcam-se como pontos principais de análise dentro deste escrito.

Palavras-chave: Mal. Teodiceia. Princípios morais. Criminalidade. Intenção humana.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador