AVALIAÇÃO DE UMA INTERVENÇÃO INTERDISCIPLINAR PARA AUTOGERENCIAMENTO DE DOR CRÔNICA

RIBAS, IZABELE DOS SANTOS 1; REINHERDT, Leticia 3; BONATO, Mariane Louise 3; CARON, Carla Mendonça 3; ABDALLA, Flávia Martins 3; FIDALSKI, Solena Zimmer Kusma 3; FACHIN, Laura S 3; HERRERA, Fernanda G 3; MARTIN, Patricia 2;

Resumo

Introdução:A Fibromialgia caracteriza-se por dor crônica generalizada, associada a distúrbios do sono e fadiga, causando importante impacto na qualidade de vida. Não existe tratamento considerado padrão outro e a abordagem terapêutica visa melhorar a funcionalidade. Neste sentido intervenções conduzidas por profissionais de diferentes áreas como psicólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, médicos podem auxiliar no tratamento dessa doença.

Objetivo:Avaliar de forma quantitativa a resposta a uma intervenção multidisciplinar em grupo imediatamente após o término e depois de 6 meses de seguimento

Metodologia:Incluíram-se pacientes com fibromialgia, seguidas em um ambulatório público de atenção secundária. A intervenção multidisciplinar consistiu em 10 encontros semanais. Realizou-se psicoeducação, terapia cognitivo comportamental utilizando mindfulness e terapia de aceitação e compromisso, orientação de proteção articular, conservação de energia, organização das rotinas, dieta saudável, higiene do sono, exercícios respiratórios e de relaxamento e técnicas de posicionamento para alívio neuromuscular da dor. Para avaliar a resposta ao tratamento, utilizou-se os seguintes instrumentos: escala visual analógica para intensidade da dor, fadiga e qualidade do sono, SF12, questionário de impacto da fibromialgia (FIQR) e o questionário de enfrentamento da dor, aplicados antes do início do tratamento, após o término e após 6 meses de seguimento. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº2.063.758).

Resultados:Avaliou-se 22 pacientes, que participaram de 4 grupos ao longo do projeto. A mediana de idade foi de 57 anos, variando de 48 a 71 anos e 21 pertenciam ao gênero feminino. Logo após o término da intervenção, observou-se tendência a melhora da intensidade da dor, da fadiga, da qualidade do sono e do impacto da fibromialgia, sendo que, esta tendência à melhora da qualidade do sono se manteve após 1 ano de seguimento. Após o término do tratamento, as pacientes passaram a utilizar, com mais frequência a estratégia de desvio de atenção (p=0,008), o que não se manteve após 6 meses. Dentre as participantes, 16 pacientes responderam ao questionário de avalição biopsicossocial, sendo observada baixa escolaridade (31,25% não haviam completado o ensino fundamental), baixa renda familiar (média de 2,1 salários mínimos), alta prevalência de depressão (50% das pacientes que responderam ao questionário) e altos índices de violência doméstica e de dependência química envolvendo os familiares das pacientes (37,5% e 31,25% respectivamente).

Conclusões:A intervenção levou a uma melhora da dor, da fadiga e diminuição do impacto da fibromialgia logo após o término da intervenção, o que possivelmente não atingiu significância do ponto de vista estatístico devido ao pequeno número de pacientes avaliadas. Entretanto, as pacientes passaram a usar de maior frequência a estratégia de desvio da atenção, que é uma forma benéfica de enfrentamento da dor. Com exceção da qualidade do sono, os demais parâmetros não se mantiveram após 6 meses, mostrando a necessidade de encontros de manutenção. Além disso, os altos índices de depressão, violência doméstica e dependência química entre os familiares podem ter contribuído para esse fato, motivo pelo qual as pacientes necessitem de suporte social e melhor abordagem da depressão.

Palavras-chave: Fibromialgia. Autogestão. Equipe de assistência ao paciente.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador