SOBRE O CONCEITO DE TRANSFERÊNCIA NA PSICANÁLISE DE FREUD

JANCOSKI, Felipe Cararo1; FONSECA, Eduardo Ribeiro da2;

Resumo

Introdução:Ao percorrer os textos de Freud sobre as bases da transferência, trazendo as situações e questões em que ela se encontra direta ou indiretamente relacionada e que a trouxeram-na um aspecto formal, é possível entender com uma certa clareza que a clínica está num processo contínuo de mudanças. Com isso surge uma condição sine qua non, ou seja, a necessidade de encontrar as características e critérios de referência para que uma prática de determinado analista seja considerada ou não própria da psicanálise e, sem a qual não seria possível uma tal investigação. E, somente assim, seria possível entender a linha tênue que existe entre as potencialidades e os limites da psicanálise, bem como seus desdobramentos.

Objetivo:O presente trabalho tem como objetivos analisar o conceito de transferência na psicanálise de Freud e como ele se desenvolve em sua obra a partir da clínica a fim de uma compreensão da sua dinâmica. Isso foi feito a partir de uma análise dos conceitos fundamentais que permeiam o conceito de transferência e de uma investigação das metodologias utilizadas baseadas no método da transferência.

Metodologia:A metodologia utilizada na primeira etapa da pesquisa foi basicamente bibliográfica, de caráter especialmente conceitual, que procura entender o conceito de transferência e seus desdobramentos principalmente na obra de Freud, mas também na de outros autores. Foram analisadas algumas obras de Sigmund Freud, sobretudo os textos: A dinâmica da transferência (1912), O método psicanalítico de Freud (1904), Minhas teses sobre o papel da sexualidade na etiologia das neuroses (1906), Tratamento psíquico (ou anímico) (1905), O seminário livro 11: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (1964) de Lacan, o artigo de Laplanche (1993), intitulado Da transferência: sua provocação pelo analista, o texto de Lagache (1980), intitulado Le problème du transfert, o artigo intitulado “Os fundamentos da Técnica da Transferência de 1895 a 1905”, de Rabêlo, Veras Filho, Danziato, Quadros e Carvalho (2016), o artigo da Baratto (2010), intitulado Genealogia do Conceito de Transferência na Obra de Freud e foi utilizado inclusive o Dicionário de Psicanálise de Roudinesco (1998) para elucidar alguns conceitos.

Resultados:O método psicoterápico do autor chamado de psicanálise tem sua origem do procedimento catártico. Após adotar o método da livre-associação, Freud passou a tratar seus pacientes a partir da relação transferencial, tentando não provocar nenhuma interferência que impedisse a livre associação de pensamentos. A partir dele, Freud descobriu que os pacientes expressavam apenas parte da verdade sobre os assuntos sexuais, devido ao processo de repressão. Sobre o funcionamento da transferência, ela é o meio pelo qual se processa o tratamento, mas também intensifica a resistência ao tratamento, posto que desvela o material inconscientemente reprimido.

Conclusões:A psicanálise não traz todas as respostas, pois o essencial é a dinâmica do tratamento permita a elaboração das questões do paciente. No campo da análise, o que é oferecido pelo analista seriam experiências a partir de seus métodos e, inclusive a recusa de trazer ou saber a verdade, o que conduz à consciência das possibilidades e limites de cada um no curso da própria existência.

Palavras-chave: Inconsciente. Método. Psicanálise. Resistência. Transferência.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador