A NOVA MORALIDADE DO HOMEM TRABALHADOR: SOBRE O INDIVÍDUO EMPREENDEDOR EM M. FOUCAULT

RESSUREIÇÃO, Gabriel Augusto da1; CANDIOTTO, Cesar2;

Resumo

Introdução:O presente trabalho busca compreender as novas modalidades de trabalho a partir da transformação de concepção de homem do liberalismo clássico para o neoliberalismo, com base nos textos de Michel Foucault. Partindo da análise do neoliberalismo, como se dá as novas configurações de moralidade do sujeito empreendedor, seguindo o conceito de homo oeconomicus, tanto no século XVIII e XIX, quanto no século XX.

Objetivo:Investigar as novas configurações morais nas quais se inscrevem as relações de trabalho na lógica do indivíduo empreendedor e do capital humano e seus efeitos filosóficos, psicológicos e sociais. Compreender o neoliberalismo de forma que se possa analisar as novas configurações morais que se inscrevem na nova lógica do trabalho.

Metodologia:Para realizar a pesquisa, se utilizou o método exploratório-monográfico baseado principalmente nas obras A Sociedade Punitiva: Curso no Collège de France (1972-1973) e Nascimento da Biopolítica: Curso dado no Collège de France (1978-1979), ambos de Michel Foucault, juntamente com a utilização de artigos em português, inglês e espanhol, nacionais e internacionais de comentadores do autor francês. Para isso foi utilizado a ferramenta de busca da revista australiana Foucault Studies e a ferramenta de busca Google Acadêmico.

Resultados:Durante a pesquisa foi identificado, a partir da mudança de pensamento de Foucault, influenciado pela Escola de Chicago e pelo neoliberalismo, que a alteração da concepção de homem do liberalismo clássico para o neoliberalismo se dá devido à mudança do homo oeconomicus. No primeiro caso, é definido como um homem de trocas, estas sendo a matriz geral da sociedade. O mercado representa um sistema de racionalização da sociedade, garantido pelo direito natural da propriedade, como no entender de Adam Smith. Já no segundo caso, o homem no neoliberalismo é concebido como um empresário de si mesmo, fazendo com que este se torne seu próprio capital recebendo a alcunha de homo oeconomicus, que está em busca de responder as exigências do mercado, sendo então a biopolítica, uma resposta as demandas e configurações atuais de mercado.

Conclusões:Com isso, é possível concluir que a criação de um novo conceito de moralidade do sujeito no neoliberalismo se dá pela capacidade de empreender a si próprio, transformando a si mesmo em capital. E quando isso não ocorre, isso é interpretado como fracasso moral. Desse modo, o sucesso ou fracasso nas relações de trabalho são transferidas das instituições e do Estado para o próprio trabalhador.

Palavras-chave:Michel Foucault. Sociedade punitiva. Biopolítica. Neoliberalismo. Liberalismo.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador