AVALIAÇÃO DO EPITÉLIO BUCAL DE PACIENTES INTERNADOS EM UTI UTILIZANDO A CITOLOGIA ESFOLIATIVA

MOURA, Elaine Caroline dos Santos1; MERLIN, Julio Cezar 3; ANGHEBEM, Mauren Isfer 3; COUTO, Soraya de Azambuja Berti 3; SILVA, Isabela Maria Vasconcelos 3; SILVA, Isteicy Cortez 3; BAGGIO, Gabriela Leite 3; SOUZA, Paulo Henrique Couto2;

Resumo

Introdução:A mucosa oral é uma barreira importante contra a penetração de microrganismos, suas alterações clínicas e citológicas podem indicar presença de processo inflamatório, principalmente em pacientes sob ventilação mecânica, internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde as condições físicas e sistêmicas destes pacientes ficam comprometidas, facilitando o surgimento de doenças.

Objetivo:Avaliar a mucosa bucal de pacientes hospitalizados em UTIs, comparando os achados clínicos e citológicos, antes e após o uso de clorexidina 0,12%, por meio da citologia esfoliativa em base líquida (CEBL).

Metodologia:Dez pacientes, internados em UTIs de um hospital universitário da cidade de Curitiba, sob ventilação mecânica, foram incluídos no presente estudo. Inicialmente realizou-se o exame físico extra e intra bucal, por meio do qual, dados em relação à presença e ausência de ressecamento bucal foram obtidos. Na sequência, realizou-se coletas de células da mucosa jugal bilateral, pela técnica de CEBL, antes, compreendendo o período entre 24 e 72 horas da internação em UTIs e, após o uso de clorexidina 0,12%, compreendendo o período entre 4 a 7 dias em relação à primeira coleta. Um total de 20 lâminas contendo esfregaços celulares corados pela técnica de Papanicolau foram posteriormente analisados por dois citopatologistas experientes (Obs1 e Obs2), cegados, em relação à presença ou ausência de alterações celulares inflamatórias como, cariomegalia, bi-multinucleação, halo perinuclear, pseudoeosinofilia, queratinização e infiltrado leucocitário.

Resultados:Utilizando-se análise estatística descritiva observou-se que o ressecamento bucal esteve presente em três (30%) pacientes antes do uso da clorexidina 0,12% e em oito (80%) casos após o seu uso. Com relação às alterações celulares, observou-se ausência de cariomegalia e bi-multinucleação, tanto antes quanto após o uso da clorexidina 0,12%, por ambos os observadores. O halo perinuclear foi observado em 2 pacientes (20%), por ambos os especialistas, antes do uso da clorexidina 0,12% e em apenas 1 caso (10%), pelo Obs2, após o seu uso. A pseudoeosinofilia foi constatada presente em 100% dos pacientes, por ambos os observadores e após, em 90% dos casos pelo Obs2, permanecendo presente em todos os casos para o Obs1. A queratinização esteve presente em apenas 1 (10%) caso para o Obs1 e não esteve presente para o Obs2, antes do uso da clorexidina 0,12%. Após o uso, esta alteração esteve presente em 2 (20%) para ambos os observadores. Finalmente, o infiltrado leucocitário esteve presente em 5 (50%) dos casos para o Obs1 e em 6 (60%) para o Obs2. Após o uso da clorexidina 0,12%, 6 (60%) casos foram observados pelo Obs1 e 7 (70%) casos pelo Obs2.

Conclusões:Observou-se que com aumento da presença de ressecamento bucal após o uso da clorexidina 0,12%, alterações como pseudoeosinofilia, queratinização e infiltrado leucocitário mostraram-se apenas discretamente elevadas para pelo menos um dos observadores.

Palavras-chave:Inflamação. Citologia esfoliativa. Epitélio bucal. Clorexidina. UTI

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador
    3. Colaborador