A METAMORFOSE DO GÊNERO E DA SEXUALIDADE NO MUNDO LÍQUIDO: UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA E DOS DIREITOS HUMANOS NO PENSAMENTO DE ZYGMUNT BAUMAN E JOHN BOSWELL

LAVANDOSKI, Max1; BORGES, Valdir2;

Resumo

Introdução:Como objetivo compreender a sexualidade na “sociedade antiga”, nosso ponto de partida começa com questionamentos a respeito de uma visão única da história, assim, nos confrontarmos com as investigações de John Boswell e Virginia Burrus que nos provocam a embarcar em uma análise criteriosa dos contextos históricos das Escrituras Sagradas para determinar como se conduziu o preconceito e a liberdade sexual, até as análises antropológicas da sexualidade indígena norte-americana, seguidamente do surgimento de um gênero neutro dentro da sociedade indígena na América do Norte quanto no Hinduísmo e o tema da Transexualidade na Índia e no Irã.

Objetivo:Temos como objetivo averiguar o papel da tradução da história em respeito à sexualidade e compreender os preconceitos em torno das Sagradas Escrituras e outras religiões, assim como em sociedades indígenas, deste modo entender como se deu o antagonismo a homossexualidade e a transexualidade.

Metodologia:Como metodologia crítico-bibliográfica refletindo sobre a antropologia e a religiosidade, tratamos de coletar as bibliografias de autores que contemplam ambas as áreas de sexualidade e religiosidade simultaneamente.

Resultados:Com a ajuda de John Boswell (1981), podemos verificar que as escrituras não expressam claramente a repreensão a homossexualidade, entretanto, quando chegamos na Patrística através de Virginia Burrus (1991), podemos notar que o grande alvo de repreensões é sempre o feminino, ou qualquer representação dele. Esta análise do feminino presente no homem, pode ser observada no período de colonização da América do Norte, aonde Will Roscoe (1988) relata que em todo continente, gays e lésbicas eram membros ativos da sociedade, incluindo um terceiro gênero, que os colonos chamaram de “Berdache”. O significado de “Berdache” para os colonos se referiu aos homens como sendo hermafroditas ou “efeminados”. Entretanto, Roscoe alerta que haviam “Berdaches” mulheres também, pois era uma transição não só de gênero, mas de conexão com o espiritual. Diante da importância da conectividade de religião e transição de gênero, incluindo ainda os aspectos do feminino presente no homem, chegamos aos Hijras na Índia, que segundo Nanda (1998) são um gênero neutro entre os Hindus, não sendo nem homem, nem mulher, assim como as “Berdaches”. Diferente da repressão que os indígenas norte-americanos sofreram por confrontarem a ideia de natural de seus colonos, na Índia, as Hijras têm uma posição de poder e autoridade, de abençoar e amaldiçoar, tendo sempre como devoção Bahuchara Mata, a deusa da castidade e da fertilidade. Entretanto, é de se notar que mesmo com a aceitação de Hijras, a Índia até 2018 determinava um crime ser homossexual. Diante deste fator, verificamos que no Irã, um país que atualmente condena a homossexualidade com morte e um local incomum para crescer tolerância sexual, há uma crescente aceitação de transsexuais, sendo inclusive, categorizado como um dos direitos humanos.

Conclusões:Trazemos o encontro da espiritualidade com a sexualidade, pois, notamos que são papéis contemplativos, e concluímos esta espiritualidade pode tanto proibir quanto libertar o individuo das limitações que expressam.

Palavras-chave:Cristianismo. Sexualidade. Feminilidade. Gênero. Hijras

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador