PAGU, DE MODERNISTA À AUTORA PROLETÁRIA: REPRESENTAÇÕES DE GÊNERO E DE CLASSE SOCIAL EM PARQUE INDUSTRIAL (1933)

SELZLEIN, Ulysses1; ZECHLINSKI, Beatriz Polidori2;

Resumo

Introdução:Patrícia Galvão foi considerada uma musa do Movimento Modernista no Brasil e para muitos foi um exemplo de beleza e de sabedoria. Ela teve uma vida de muitas turbulências, lutas, romances e diferentes trabalhos. Encontrou muitos problemas com a política nacional, por ter se disposto a discutir em suas obras e a enfrentar em suas ações o discurso hegemônico da sociedade burguesa que estava se estabelecendo no Brasil. Relatou, nas suas narrativas, como era a condição vivida pelas pessoas da classe trabalhadora em chão de fábrica, as humilhações físicas e verbais sofridas no trabalho por homens e por mulheres das classes populares. Como escritora, defendeu a conquista de direitos pelas mulheres, sendo que em sua principal obra, Parque Industrial, ela colocou no centro da narrativa as personagens femininas, com o objetivo de debater as mudanças sociais pelas quais a sociedade estava passando, que incluíam desigualdades de gênero.

Objetivo:O objetivo principal foi realizar a análise das representações sociais de classe e de gênero no romance Parque Industrial, de Patrícia Galvão (Pagu), vislumbrando uma reflexão crítica sobre o modo de a autora interpretar os problemas sociais do Brasil e as relações de gênero de sua época, e de que modo ela vincula as desigualdades de classe com as de gênero.

Metodologia:Os materiais utilizados durante a pesquisa foram referências bibliográficas que dão o suporte para o estabelecimento do método de pesquisa em análise das representações sociais, especialmente as representações de gênero e de classe. Durante o segundo semestre foi realizada a análise do livro Parque Industrial, de Patrícia Galvão, a fonte primária desta pesquisa.

Resultados:O protagonismo do livro é das mulheres. Patrícia fez com que o romance ficasse em torno das moças proletárias, mas também chegou a citar as mulheres burguesas. Na trama, as principais pessoas são Corina, Rosinha, Eleonora e Otávia. Todas são da classe operária, trabalham em fábricas e acreditam ao desenrolar da história que a luta de classes irá exaltar o comunismo e diminuir a desigualdade entre as classes. A construção das personagens da obra e como as personagens históricas são descritas é muito intenso, pois Pagu pretendia fazer com que as pessoas que iriam ler o texto entendessem os benefícios de um mundo mais solidário e sem abusos físicos e mentais. Em diversos trechos são apresentadas narrativas que fazem com que as pessoas que estão lendo sintam-se bem ao ler sobre as possibilidades de sociedade apresentadas pela perspectiva comunista e acreditem no poder da massa trabalhadora.

Conclusões:Parque Industrial, sua principal obra, teve como objetivo ser uma leitura de fácil acesso para as pessoas que trabalhavam e sofriam nas fábricas entendessem os seus direitos. A crítica de Pagu era direcionada aos governos e burgueses, pois ela via juntamente com grande parte de seus amigos a desigualdade, não somente na perspectiva comunista, mas na sua visão como mulher e como pessoa.

Palavras-chave: Patrícia Galvão. Pagu. Gênero. Classe social. Representação social.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador