INFLUÊNCIA DA ESCOLARIDADE NA CORRELAÇÃO ENTRE A UROFLUXOMETRIA LIVRE, PICTOGRAMA DE ANUF E QUESTIONÁRIOS DE DISFUNÇÃO MICCIONAL

CAMILO, Bruno Henrique1; GREGORIO, Emerson Pereira2;

Resumo

Introdução:Os sintomas do trato urinário inferior (STUI) são condições frequentes, que apresentam prevalência crescente com o decorrer dos anos, atingindo taxa de 80% nos homens acima de 60 anos. No Brasil, a taxa de analfabetismo em homens com 60 anos ou mais foi de 18% em 2018 e a população de baixa escolaridade é a que apresenta menor renda e menor acesso aos recursos de saúde. A avaliação dos STUI se baseia nos questionários IPSS e OAB-V8 e na urofluxometria. Entretando, a urofluxometria é um exame que tem custo, não é amplamente disponível, principalmente no sistema público de saúde, e pode não reproduzir as condições habituais de micção e a interpretação dos questionários, por sua vez, pode ser um empecilho em pacientes com menor nível educacional. Recentemente, alguns autores propuseram uma nova ferramenta visual, de custo zero, chamada urofluxometria analógica (ANUF), a qual é um pictograma de quatro homens com fluxos urinários decrescentes (A, B, C e D), e encontraram uma associação da ANUF com o fluxo máximo da urofluxometria, porém, a associação da ANUF com os questionários e a influência da escolaridade nestas associações não foram avaliadas por estes autores.

Objetivo:Avaliar se a associação entre o pictograma ANUF com a urofluxometria livre, a pontuação do IPSS, e a pontuação do questionário OAB-V8, em pacientes com STUI, se mantém em diferentes escolaridades.

Metodologia:Estudo prospectivo transversal com 601 homens com STUI e idade superior a 40 anos, atendidos consecutivamente, por um único médico urologista, entre agosto de 2018 e junho de 2019. Não participaram do estudo pacientes com doenças neurológicas, cirurgias prostáticas prévias ou história de estenose de uretra. Os homens informaram sua idade, escolaridade, selecionaram uma imagem da ANUF, que melhor representava seu fluxo urinário, responderam os questionários IPSS e OAB-V8 e foram submetidos a urofluxometria. A urofluxometria foi avaliada em 477 pacientes e analisou-se quatro variáveis (fluxo máximo, fluxo médio e nomograma de Liverpool do fluxo máximo e médio). Para avaliar as associações aplicou-se o teste de Kruskal-Wallis.

Resultados:A mediana da idade foi de 59 anos. As frequências das imagens da ANUF foram: A (10,27%), B (26,62%), C (49,48%) e D (13,63%). Entre todos homens observou-se uma associação significante da idade, da urofluxometria e dos questionários IPSS e OAB-V8 com a ANUF. A associação da ANUF com os questionários manteve-se em todas escolaridades. Das quatro variáveis da urofluxometria a associação com o ANUF foi significante em todas variáveis dos homens com ensino superior completo, na metade das variáveis dos homens com ensino médio completo e em apenas um quarto das variáveis dos homens com ensino fundamental completo ou incompleto.

Conclusões:O pictograma ANUF associa-se significantemente com a urofluxometria e os questionários, e pode ser aplicado como uma ferramenta auxiliar, sem custo, para diagnóstico e seguimento dos STUI. No entanto, a associação da ANUF, com a urofluxometria, sofre influência da escolaridade e o mesmo não acontece na associação da ANUF com os questionários.

Palavras-chave:Urofluxometria. Sintomas do Trato Urinário Inferior. Pictograma ANUF. IPSS. OABV8.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador