O IMPACTO DA DESIGUALDADE DE GÊNERO NO MERCADO DE TRABALHO DA METRÓPOLE DE CURITIBA

PEREIRA, Arthur Carneiro Ribeiro 1; BITTENCOURT, Jackson Teixeira 2;

Resumo

Introdução:Em todo o curso da história o gênero teve, e têm, papel determinante no exercício social e no destino laboral de um indivíduo, convergindo para uma natural divisão sexual do trabalho, na qual para os homens direciona-se aos afazeres relacionados as áreas produtivas e as mulheres atribuídas as áreas meramente reprodutoras (HIGA, 2016). Muitos são os estudos que mostram o ganho de participação feminina no mercado de trabalho, apesar de barreiras que interferem no desempenho das mulheres em seu meio, revelando uma difícil, lenta e gradual inserção no meio laboral (SILVA FILHO et al., 2016). Apesar de ganho na participação no mercado de trabalho, a mulher ainda enfrenta uma dupla jornada, e para isso, escolhe atividades com menos horas de trabalho, além da dificuldade de ascender a determinados postos de trabalho que exigem mais dedicação e horas trabalhadas (QUEIROZ; ARAGÓN, 2015).

Objetivo:Analisar a dinâmica do gênero no mercado de trabalho, verificando se as mulheres optam por profissões e ocupações com menor remuneração em relação aos homens, o que tende a promover uma diferença no rendimento médio, tendo como locus espacial a metrópole de Curitiba.

Metodologia:A pesquisa obteve embasamento teórico em livros, artigos e textos de discussão referentes a discriminação de gênero no mercado de trabalho, e suas consequências nos salários femininos. Foram coletados dados da RAIS CBO Ocupações 2002 considerando um recorte espacial levando em conta a Metrópole de Curitiba, onde se observa a dinâmica do mercado de trabalho local, e um recorte temporal de dois períodos, sendo eles 2005 e 2015. Do total da amostra, considerando os dois espaços temporais, foram contabilizadas 1.456.065 pessoas atuando com carteira assinada. De acordo com a base de dados, do total da amostra o ano de 2005 revelou um total de 608.610 pessoas efetivadas em empregos formais, de maneira que destas, 323.811 eram homens e 284.799 eram mulheres. No ano de 2015, do total da amostra foi obtido um total de 847.455 indivíduos efetivados em alguma ocupação, dos quais, 427.374 eram masculinos e 420.081 femininos.

Resultados:Foi possível observar médias salariais superiores para o gênero masculino na mesma CBO em diversas ocupações. De acordo com os autores e como comprovado nos levantamentos feitos pela pesquisa, a participação do gênero feminino é menor quando comparada ao masculino no mercado de trabalho formal. Além disso, os resultados corroboram a revisão de literatura, pois ao longo dos anos, ocorreu um aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho. Observou-se ainda que a grande maioria das mulheres se concentra em cargos com menor remuneração, nos quais o gênero feminino se dedica a atividades do mercado secundário, ou seja, cargos que propiciam baixa estruturação e demandam mínima qualificação.

Conclusões:A escolha das mulheres, por parte dos empregadores para cargos de proposta de valor de crescimento na carreira a longo prazo, assim como cargos de diretoria e gerência se tornam instáveis e mais duvidosos, à medida que as empresas pesam o custo de oportunidade de se investir em mulheres que via de regra tendem a se dedicar a família e a dupla jornada, em detrimento de um crescimento na carreira. Conforme citado por diversos autores, somente uma em cada dez mulheres atuam em cargos de profissões executivas e intelectuais superiores, o que pudemos observar nos levantamentos realizados pela presente pesquisa. As mulheres são piores remuneradas que os homens em todos os setores, tanto industrial quanto de serviços e continuam tendo menor remuneração em detrimento dos homens, de forma que, até mesmo ocupações consideradas tipicamente femininas, como psicologia, arquitetura e urbanismo e odontologia, saem perdendo quando o quesito é remuneração média.

Palavras-chave:Mercado de Trabalho. Gênero.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador