PRÁTICAS CULTURAIS COERCITIVAS: EFEITOS SOBRE SINTOMAS DE DEPRESSÃO EM UNIVERSITÁRIO

PEDRO, Nataly Plens1; JULIANI, Joao2;

Resumo

Introdução:O estudo sobre transmissão cultural vem sendo um desafio para os pesquisadores que buscam explicar as diferentes culturas, inclusive a relação entre as práticas culturais e a depressão, uma vez que o número de indivíduos com sintomas depressivos vem aumentando em diversos lugares do mundo, mesmo havendo grandes diferenças culturais entre eles.

Objetivo:Este estudo tem como objetivo analisar as práticas culturais coercitivas estabelecidas e transmitidas nas “gerações” em uma microcultura e seus efeitos sobre sintomas de depressão dos membros do grupo. Estabelecer uma prática cultural coercitiva através do uso de fortalecimento negativo. Identificar as estratégias do grupo para transmitir a prática coercitiva ao longo das mudanças de gerações. Verificar se há diferença entre a ocorrência de sintomas de depressão quando comparando o grupo submetido ao procedimento coercitivo com o Grupo Controle.

Metodologia:A coleta de dados foi realizada no Núcleo de Práticas Psicológicas (NPP), PUCPR câmpus Londrina, com 18 estudantes universitários, maiores de 18 anos de idade, distribuídos aleatoriamente em dois grupos sendo: 8 participantes do Grupo Experimental (GE) e 10 do Grupo Controle (GC). O GE fez uma atividade de resolução de anagramas em grupo (microcultura) envolvendo fortalecimento negativo e o GC passou por um tratamento com uma tarefa similar, porém sem o uso de fortalecimento negativo; imediatamente após os participantes deixarem a sala de experimento foi aplicada a Escala de Depressão de Beck (1961) e o questionário WHOQOL-breve. Os participantes tiveram acesso ao conteúdo dos anagramas por 10 segundos e, nesse tempo, deveriam decidir se resolveriam ou não os anagramas e mais 50 segundos para resolver caso optassem. Os anagramas foram dispostos em sequência aleatória de palavras e nível de dificuldade e, a cada 10 minutos de atividades, um membro do grupo era trocado e o grupo tinha 5 minutos para transmitir as informações para o novo membro.

Resultados:No GC os participantes das rodadas 4 e 5 resolveram o maior número de anagramas (32); os da rodada 4 não resolveram 2 e não erraram nenhum anagrama; já na rodada 5 os participantes resolveram 3 anagramas e também não erraram os que se propuseram a resolver e, a rodada 3 foi a que menos anagramas resolveu (23), tendo pulado 4 e errado uma resposta. Já no GE a rodada 4 resolveu maior número de anagramas (53), pulou 1 e errou 1; já a rodada 1 resolveu 35 anagramas, não resolveu 2 e não errou nenhuma resposta. Com relação a comparação de médias do BDI entre o Grupos, o GC, o qual não passou por fortalecimento negativo, obteve maior média de escore em relação ao GE.

Conclusões:Os dados apontaram que o Grupo Experimental, que passou por reforçamento negativo, teve melhor escore no BDI, o que vai ao contrário do que era esperado, porém, a diferença entre o Grupo Controle, reforçado positivamente, e o Grupo Experimental foi de 0,85 pontos na média. Isso pode indicar que, caso não houvesse os casos atípicos no Grupo Controle, provavelmente o GC teria um escore menor com relativa diferença comparado ao GE.

Palavras-chave:Transmissão cultural. Depressão. Coerção. Sociedade. Comportamento humano.

Legendas

    1. Estudante
    2. Orientador